Por: Redação da Rede Brasil Atual
Publicado em 22/08/2011, 08:59
Última atualização às 08:59
TweetSão Paulo - Após um fim de semana de ações coordenadas entre grupos rebeldes e bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), os insurgentes alcançaram a capital líbia, Trípoli, e teriam encontrado pouca resistência, segundo agências de notícias. Um dos sete filhos e sucessor de Muammar Khadafi, Saif Al Islam, teria se rendido aos rebeldes de acordo com informações do Tribunal Penal Internacional (TPI).
Os relatos foram publicados ainda na noite de domingo (21) e na madrugada desta segunda-feira (22). O canal da emissora estatal do país foi tirado do ar, bem como a rede Al-Libiya, que pertence a Saif al-Islam.
O presidente do Conselho Nacional de Transição, principal organização dos rebeldes – e reconhecido por países europeus e pelos Estados Unidos como um regime legítimo –, Mustafa Mohammed Abdul Jalil, sustenta que o movimento será encerrado apenas quando Khadafi renunciar. Jalil promete manter o filho capturado do "em um local seguro até que seja entregue ao Judiciário".
Horas depois de os insurgentes terem assumido o controle da maior parte da capital, último reduto importante de forças leais a Khadafi, aconteceram embates violentos na área em volta do quartel-general do líder, onde ele reside desde maio. Segundo a rede britânica BBC, rebeldes admitem que forças favoráveis ao líder líbio ainda controlam de 15% a 20% de Trípoli. O regime líbio afirma possuir 65 mil soldados sob seu comando.
Apesar de a resistência ter sido menor do que a esperada, o porta-voz e ministro das Comunicações de Khadafi, Moussa Ibrahim, disse que 1.300 pessoas foram mortas na cidade de sábado para domingo. Outras fontes sustentam que o saldo trágico dos embates alcançaria 3 mil vítimas fatais.
Em mensagem de áudio, transmitida no domingo à noite, Khadafi ainda pediu a moradores da capital que "salvassem" a cidade dos rebeldes, a quem acusa de "traidores". Em meio a críticas ao apoio da Otan às "gangues armadas" insurgentes, Ibrahim disse que o regime está disposto a negociar diretamente com o conselho rebelde.
PressãoLíderes da Europa e dos Estados Unidos exortaram Khadafi a reconhecer que o governo de 42 anos chegou ao fim. "(Khadafi) precisa abandonar o poder de uma vez por todas", pediu presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em nota no domingo. França, Alemanha, Grã-Bretanha e Otan manifestaram-se de modo semelhante.
O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, afirmou que a situação de Khadafi está "desmoronando". Para a chanceler alemã, Angela Merkel, "Khadafi perdeu sua legitimidade" há um tempo. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse apoiar a "libertação da Líbia desse regime opressivo e ditatorial".
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, segue como um dos poucos a defender o líder líbio, criticando a ação dos países europeus e dos Estados Unidos, a quem acusa de atacar "escolas, hospitais, casas, negócios, fábricas, fazendas". "Pedimos a Deus para trazer paz ao povo líbio e ao povo do mundo", disse.
Com informações da Agência Brasil e OperaMundi
Leia também:Apesar de avanço rebelde em direção a Trípoli, Khadafi promete ficar "até o fim"