Rebeldes promoveram paradas de estilo militar nesta quinta-feira, numa série de cidades a oeste de Bagdá, confirmando a crescente confiança dos milicianos sunitas numa parte do Iraque onde forças dos Estados Unidos e iraquianas mantêm forte presença e intensas campanhas de contra-insurgência ocorreram nos últimos dois anos.
Como esta demonstração de força feita por cerca de 60 insurgentes na quarta-feira na cidade de Ramadi, as últimas paradas foram realizadas em apoio a um anúncio esta semana de um grupo árabe sunita que havia criado um Estado islâmico em seis das 18 províncias do Iraque, incluindo a capital Bagdá. A declaração foi feita no domingo pelo Conselho Supremo dos Combatentes Sagrados - uma reunião de rebeldes sunitas que inclui a Al-Qaeda no Iraque, num vídeo divulgado na internet.
Formalmente, os insurgentes não controlam nenhum território no Iraque, mas a declaração parecia ser uma resposta à aprovação este mês no Parlamento de uma lei que abre caminho para que a maioria xiita estabeleça uma região autônoma no sul, similar à que os curdos desfrutam no norte.
Duas das quatro paradas de hoje, nas cidades de Haditha e Haqlaniya, foram realizadas a menos de um quilômetro de bases militares dos EUA, segundo testemunhas. Não havia notícias de confrontos. Na cidade de Haditha, onde os sentimentos antiamericanos se aprofundaram depois que fuzileiros navais americanos supostamente mataram 24 civis em vingança à morte de um de seus companheiros no final do ano passado, dezenas de homens mascarados desfilaram em pelo menos 20 sedãs e picapes no coração da cidade por cerca de 30 minutos sem serem molestados.
A cidade, 220 quilômetros a noroeste de Bagdá, não tem uma força policial já há proximadamente três anos e os militares dos Estados Unidos numa base próxima não intervieram.
Os mascarados, gritando Allahu Akbar, ou Deus é Grande em árabe, vestiam mantos brancos, um símbolo de sua disposição ao sacrifício. Eles portavam fuzis de assalto, granadas propelidas por foguete e metralhadoras pesadas. Os insurgentes distribuíram doces e roupas para as crianças, um gesto para marcar o feriado muçulmano de Eid Al Fitr, que começa no início da próxima semana.
O porta-voz militar americano major-general William B. Caldwell foi perguntado ontem sobre a parada. Ele preferiu dizer que não tinha ouvido falar sobre o incidente, apesar de ter ocorrido mais de 24 horas antes e de as imagens estarem sendo insistentemente mostradas pelas televisões.
Rebeldes fazem protesto com parada militar em Bagdá
Sexta, 20 de Outubro de 2006 às 14:20, por: CdB