O Movimento de Libertação do Sudão (MLS), que atua em Darfur, oeste do país, afirma que seus homens mataram mais de 400 soldados do governo em combates realizados na região recentemente.
O porta-voz do MLS, Suleimán Omar Daheya, disse ao jornal Al Hayat que os combates deixaram 235 mortos em Abu Qamara e 180 em Katm e Daur, regiões situadas no norte de Darfur. O governo sudanês não confirmou nem as mortes nem os combates.
O porta-voz também disse que seus combatentes derrubaram um helicóptero do Exército sudanês, também em Abu Qamara, e que todos os seus ocupantes morreram.
Omar Daheya acrescentou que, após essas vitórias, o oeste do país ficou totalmente isolado de Cartum, capital sudanesa, "já que controlamos todos as vias que levam a ela".
- Todo Darfur está isolado; só se pode chegar por via aérea - declarou o porta-voz, que acrescentou que ainda continuam os combates e os bombardeios aéreos.
Por outro lado, outro porta-voz do MLS, Hasan Ibrahim, contatado pelo jornal árabe internacional "Aharq Al Awsat", afirmou que a organização está disposta a retomar as negociações com o regime sudanês.
- Nosso movimento anuncia sua disposição de retornar à mesa de negociações com Cartum, mas com observadores internacionais, com o fim de facilitar a chegada de ajuda, proteger os civis e desarmar as milícias - declarou a fonte.
Acrescentou que "essa iniciativa responde aos vários pedidos da sociedade, que ficou alarmada com as violações dos direitos humanos (em Darfur). A solução negociada é nossa opção estratégica para resolver a crise", disse.
O MLS é um grupo rebelde que surgiu há seis meses no oeste do Sudão em protesto pelo que considera uma política de marginalização do governo, que não inclui este empobrecida região em seu diálogo de paz com os rebeldes do sul.
O Sudão é palco da guerra civil mais longa da África, cuja origem remonta a 1983 quando os rebeldes do Exército Popular de Libertação do Sudão (EPLS) pegaram em armas para exigir a secessão do sul, de maioria cristã e animista, do norte muçulmano.
Atualmente, o EPLS negocia no Quênia com o Governo um acordo de paz para acabar com uma guerra que deixou mais de dois milhões de mortos e milhares de refugiados.