Os rebeldes da região sudanesa de Darfur abandonaram na segunda-feira as negociações de paz na Nigéria para pressionar o governo a suspender uma ofensiva, segundo delegados.
Os negociadores rebeldes disseram que não vão deixar Abuja, a capital da Nigéria, imediatamente e que ainda estão abertos a consultas informais, mas que as negociações formais não serão retomadas até que a situação na região melhore.
"Estamos suspendendo as negociações até que a situação tenha mudado e que haja um claro compromisso de que o governo sudanês vai parar a ofensiva", disse Bahar Ibrahim, membro do Movimento de Libertação do Sudão. "Ainda estamos abertos a consultas -- conversando com as pessoas -, mas não vamos comparecer à reunião."
A União Africana, que medeia as negociações, disse que a frequência dos ataques triplicou desde setembro e agora ocorrem quase diariamente em Darfur, onde cerca de 1,6 milhão de pessoas já fugiram de suas casas.
A entidade acusou ambas as partes de violarem uma trégua e disse que continua tentando atrair os rebeldes para a negociação. "Não há justificativa para uma suspensão", disse Sam Ibok, presidente da União Africana, que reúne 53 países.
O governo também pediu que os rebeldes continuem negociando.
A União Africana pretende concluir as negociações até 22 de dezembro, com um acordo de princípios sobre divisão de poderes e riquezas, segurança e desmobilização e reintegração de guerrilheiros.
Na segunda-feira, a União Africana disse que houve 12 violações ao cessar-fogo em setembro e 53 nos 40 dias desde o começo de novembro.
Os rebeldes se levantaram contra o governo no começo de 2003, pois se diziam marginalizados por Cartum. Em reação a isso, o governo teria passado a apoiar a milícia árabe Janjaweed, responsável por saques, homicídios e estupros contra a população de origem africana de Darfur. O governo nega responsabilidade pelas ações da milícia.
"Há uma clara política por parte de Cartum para ganhar tempo e afastar a pressão da comunidade internacional, ao mesmo tempo em que usa a milícia para limpar etnicamente a região", disse Tom Cargill, do Real Instituto de Assuntos Internacionais, de Londres. Os Estados Unidos qualificam a ação das milícias de genocídio.
A União Africana tem 900 funcionários monitorando o cessar-fogo em Darfur, uma região do tamanho da França. O objetivo do grupo é completar a força de paz com 3.300 homens até o final do ano. Entidades de direitos humanos dizem que o deslocamento militar é lento demais.