Rebeldes alertam Otan sobre "massacre" em Misrata; 23 mortosLegenda:Rebeldes alertam Otan sobre "massacre" em Misrata; 23 mortos (reuters_tickers)
Alexander Dziadosz
BENGHAZI, Líbia (Reuters) - Rebeldes líbios imploraram nesta quinta-feira por mais ataques aéreos da Otan, dizendo que estavam sob ameaça de sofrer um massacre pelos bombardeios do governo na cidade sitiada de Misrata,.
Os aliados militares do Ocidente, no entanto, entraram em desacordo sobre a campanha aérea.
Os rebeldes disseram que vários foguetes Grad foram disparados pelas forças do governo em um distrito residencial de Misrata, a terceira maior cidade da Líbia, matando 23 civis, principalmente mulheres e crianças.
Organizações humanitárias alertam para um possível desastre humanitário em Misrata, o único bastião rebelde no oeste do país, onde supostamente centenas de civis morreram durante o cerco de seis semanas.
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, expressou sua preocupação durante uma reunião da Otan em Berlim sobre as "atrocidades" em Misrata, mas não indicou que os Estados Unidos estariam preparados a ingressar novamente nos ataques aéreos.
Refletindo os receios sobre as tensões na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Hillary pediu à aliança militar que mantenha "a determinação e a unidade" contra Muammar Gaddafi, dizendo que ele estava testando a determinação do Ocidente.
Diversos membros da Otan recusaram pedidos da França e da Grã-Bretanha para contribuir com mais ataques aéreos, realizados sob um mandato da ONU para proteger civis, e autoridades norte-americanas disseram que os comandantes aliados não estavam solicitando maiores recursos.
"Um massacre... irá ocorrer aqui se a Otan não intervier fortemente", disse à Reuters um porta-voz rebelde em Misrata por telefone.
Informações sobre feridos são difíceis de serem confirmadas independentemente, pois jornalistas não conseguem chegar ao local.
A televisão Al Jazeera mostrou centenas de moradores em protesto antes do ataque. "O sangue dos mártires não será (derramado) em vão", gritavam, acenando a bandeira rebelde.
Os cinco países emergentes que formam o Brics -- Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -- expressaram preocupações sobre os ataques aéreos da Otan após reuniões na China, e pediram o fim da guerra civil que já dura dois meses.
A crítica se contrapõe ao primeiro pedido unificado pela derrubada de Gaddafi, realizado por um grupo de países do Oriente Médio e do Ocidente que se reuniram em Catar na quarta-feira.
O "grupo de contato" internacional exigiu a renúncia de Gaddafi e expressou apoio aos rebeldes.
Reuters