A densa fumaça sobre a usina nuclear de Fukushima aumentou, os receios de um colapso no Japão. Após os trabalhos terem sido suspensos temporariamente devido a uma nuvem de fumaça proveniente do reator 3, outra coluna começou a sair do reator 2. Os funcionários, no entanto, afirmaram ser improvável que a fumaça tenha conexão com os esforços para reativar o fornecimento de energia dos reatores.
Enquanto a população teme uma chuva ácida, o governo proibiu a venda de leite e espinafre em quatro províncias nos arredores da usina. Soldados e bombeiros continuaram na usina suas tentativas para resfriar os reatores com água. Os técnicos conseguiram no fim de semana que a unidade 2 fosse reconectada à rede elétrica. Os sistemas de refrigeração, entretanto, ainda não haviam entrado novamente em operação. Tóquio proibiu venda de alimentos de áreas próximas a Fukushima
Alimentos e água contaminados representam agora problemas adicionais para a população japonesa. Em quatro províncias, o governo proibiu a venda e a exportação de leite e espinafre, devido à contaminação com radiação. Um porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS) disse, no entanto, que os alimentos que foram brevemente expostos à radioatividade não representam um risco para a saúde a curto prazo.
Foram atestados níveis ligeiramente elevados de iodo radioativo e césio na água potável em Tóquio, foi detectada uma cota de iodo radioativo mais de três vezes superior ao limite legal em uma aldeia situada a 40 quilômetros da central de Fukushima. Como precaução, o Ministério da Saúde do Japão aconselhou os moradores da região a não beberem a água.
Uma chuva prolongada e forte prejudicou os trabalhos de resgate e alimentou os temores de contaminação radioativa. Devido às condições meteorológicas, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, cancelou uma visita aos sítios do desastre no nordeste do Japão. – Não podemos voar com helicópteros sob uma chuva como esta, disse um representante da província de Miyagi, a mais atingida pelo desastre.
O número oficial de mortos e desaparecidos após o terremoto e o tsunami alcança quase 22 mil. O Banco Mundial estimou os prejuízos em consequência das catástrofes naturais no Japão em até 166 bilhões de euros.
Entretanto, segundo o economista-chefe da instituição, Vikram Nehru, a economia japonesa deve se recuperar de forma relativamente rápida. Ele disse que os japoneses contam com a experiência do terremoto de Kobe, em 1995. A agência americana de classificação de risco Moody's vê o país retomando o crescimento já no segundo semestre de 2011.
Porém os esforços de reconstrução podem provocar a alta dos preços do petróleo, gás e outras matérias-primas, alertou o Banco Mundial, ao apresentar, em Cingapura, uma nova análise de conjuntura econômica para o Leste Asiático e a região do Oceano Pacífico. No entanto, é cedo demais para avaliar os efeitos sobre a economia das usinas nucleares danificadas e da contaminação radioativa.
Segundo o estudo da Moody's, as consequências mais sérias do desastre deverão se limitar ao primeiro semestre do ano. Devido ao enorme investimento na reconstrução, o Produto Interno Bruto japonês deverá crescer novamente no segundo semestre. É possível um crescimento de 1% neste ano e de 2,3% em 2012.
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