A valorização do real frente ao dólar reflete os bons resultados da economia brasileira, na opinião do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, a queda do dólar está sendo influenciada pelo resultado positivo da balança comercial e pela crescente solidez da economia brasileira. A alta cotação do real foi criticada, em entrevista à imprensa, pelo então secretário de Política Econômica Júlio Sergio Gomes de Almeida. Ele deixou o cargo nesta quarta-feira por motivos pessoais.
- A economia brasileira hoje é aberta e as importações estão crescendo, o que eu acho bom, pois pode diminuir o saldo comercial, que não precisa ser tão expressivo -, disse Mantega ao chegar ao Ministério da Fazenda, onde se reuniu com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge.
Na quarta-feira, o dólar foi cotado, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) a R$ 2,03. Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu, em 2003, a cotação estava acima de R$ 3. Industriais e alguns economistas criticam a baixa, afirmando que seria necessário controlar a queda do dólar, para evitar aumento das importações. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) culpa a alta do dólar pelo baixo crescimento da indústria no país. Com o real valendo mais em relação ao dólar, o estrangeiro paga mais caro pelo produto brasileiro.
Alegando que as importações estão crescendo de forma expressiva e que não há nada que impeça um aumento ainda maior, o ministro descartou a necessidade do governo incentivar às importações como forma de equilibrar o saldo comercial e impedir que o dólar caia ainda mais, o que prejudica setores exportadores, como o automobilístico, calçadista e têxtil. Segundo Mantega, a própria desvalorização do dólar torna desnecessária a redução dos impostos cobrados dos produtos importados.
- Esse câmbio significa que nós estamos barateando os produtos importados. Isso compensa qualquer alíquota. Se você tem uma alíquota de 12% e o câmbio se desvaloriza, por exemplo, 20%, acabou a alíquota. Ela foi compensada pela valorização do real -, diss.
Mantega também admitiu que a Selic, uma das taxas de juros mais altas do mundo, influencia na cotação do real.
- Claro que a taxa de juros também influencia porque você oferece rendimentos maiores na aplicação aqui (no Brasil) do que em relação à aplicações em dólares -, disse.
Real valorizado reflete bons resultados da economia, diz Mantega
Quinta, 05 de Abril de 2007 às 12:52, por: CdB