Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Real combateu inflação, dizem especialistas

Quinta, 01 de Julho de 2004 às 09:53, por: CdB

O ponto básico do Plano Real foi atacar a indexação e a inércia inflacionária. A conclusão é do professor da PUC/Rio, Luiz Roberto Cunha. Ele disse que, embora várias universidades estudassem, na época, a questão, os economistas com origem na PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio eram os que discutiam o assunto com mais profundidade. "Essa discussão teórica sobre o ponto de vista da indexação e da inércia inflacionária foi feita em várias universidades, mas a principal base da discussão, os principais pensadores com relação a isto eram da PUC naquela época", explica.

Para o professor, não se pode dizer, no entanto que a PUC tenha definido a corrente de idéias postas em prática. Já na época do Plano Cruzado, houve muita participação de economistas da Universidade de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo(USP), lembrou Luiz Roberto Cunha. "Não se trata da universidade ou do pensamento A,B ou C. Na verdade, quem discutia com mais profundidade a questão de indexação ou inércia inflacionária eram os economistas da PUC. Houve uma coincidência no Plano Real sob a liderança de Fernando Henrique Cardoso. Esses economistas estavam no governo e ajudaram nessa fórmula de sucesso que conseguiu reduzir a inflação", concluiu.

Cunha destaca a participação dos economistas Edmar Bacha, André Lara Resende e Pérsio Arida, além do nome de Pedro Malan, que não era ainda ministro da Fazenda, mas integrava a equipe como presidente do Banco Central.

Heterodoxia

Para o economista da Fundação Getúlio Vargas Antônio Carlos Porto Gonçalves, a visão dos economistas da PUC era mais heterodoxa, com discussões mais inovadoras. "Conseguiram terminar com a inflação sem nenhuma recessão. Da maneira clássica, ortodoxa, levaria a uma recessão muito grande. Eles fizeram isso lá com uma solução não ortodoxa e enfatizaram os aspectos inerciais da inflação que outras correntes não enfatizavam. Nesse sentido, funcionou bastante bem, teve negociação, beneficiou os mais pobres, que eram penalizados pela inflação, e teve uma permanência sustentável. Não foi uma coisa que terminou a inflação este mês, este ano e acabou no ano que vem", afirmou Porto Gonçalves.

Embora Gonçalves considere o plano bem sucedido, ele diz que continua um "certo desequilíbrio" no Brasil , sobretudo ligado ao orçamento público. Segundo ele, o governo ainda gasta mais do que arrecada.

- Não tem inflação, mas eles continuam se endividando. Isso, evidentemente , é uma tensão na economia que pode dar problemas. Então o plano, nesse aspecto, foi incompleto, faltou a parte do orçamento público equilibrado - disse.

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