Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Reajuste de 7,71% para os aposentados ainda não é suficiente

O acordo conseguido entre os líderes do governo na Câmara e no Senado, após a rodada de negociações com os demais líderes aliados chegou a 7,71%. Mas há ainda insatisfação em partidos da base governista, entre eles o PDT, que pretende conseguir um percentual de 8% no reajuste para os aposentados que ganham mais de um salário mínimo.

Quarta, 28 de Abril de 2010 às 09:07, por: CdB

Os líderes do governo na Câmara, Cândido Vacarezza (PT-SP), e no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), prometeram tentar um acordo político com as lideranças dos partidos da base governista no Congresso a fim de garantir um reajuste de até 7,71% para os aposentados que ganham acima de um salário mínimo. Vacareza, que também é o relator da medida provisória que trata do aumento, disse que iria propor às lideranças na Câmara um percentual acima de 7%, ainda que a equipe econômica do governo tenha reafirmado que o reajuste de 6.14% é o valor máximo que o orçamento da Previdência pode suportar.

– O 6.14% é um percentual robusto, acima da inflação, mas, na Câmara, eu vou me esforçar para fazer um acordo com toda a base para chegarmos aos 7%. E quero pedir ao Senado que mantenha o relatório que for aprovado na Câmara – disse Vacarezza ao deixar o prédio do Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, onde participou de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além do deputado e do senador Romero Jucá, também participaram do encontro os ministros da Fazenda, Guido Mantega; da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha; da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas; e da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci.

– Vamos trabalhar para isso. Nosso objetivo é dar o máximo aos aposentados. Na conta da equipe econômica, o (reajuste) máximo é de 6,14%. Portanto, qualquer coisa acima disso será um ganho a mais (para os aposentados. Um acordo em torno dos 7% na Câmara, em acordo de líderes, fortalecerá a posição de votação no Senado e também a possível sanção presidencial – afirmou Romero Jucá.

Negociações

No final da manhã, Vacarezza e Jucá anunciaram que o acordo realizado entre os líderes partidários, fechado após as negociações, foi de 7,71 % para aposentados que ganham mais de um salário mínimo. O reajuste, no entanto, ainda sofre críticas de aliados.

– Vamos tentar derrubar o relatório do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) e aprovar destaque de 8% de reajuste – disse o líder do PDT, deputado Dagoberto (MS).

Segundo o deputado, os líderes da Câmara e do Senado e os representantes de seis centrais sindicais avaliaram também na reunião a proposta de reajuste escalonado de 7,71% para os aposentados que ganham até R$ 1.395,00 e 6,14% para os que ganham acima desse valor. Dagoberto disse que estes mesmos líderes partidários também avaliaram que se deputados e senadores aprovarem os 7,71% “o presidente Lula não vetará o reajuste. Ele é muito sensível as causas dos trabalhadores”.

O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), disse também acreditar que o presidente não vetará um reajuste aprovado pela Câmara e pelo Senado para os aposentados. O parlamentar disse que conversou há cerca de dez dias com Lula e que ele disse que o melhor seria fechar um acordo. O impacto financeiro do reajuste de 7,71%, segundo o presidente da Força Sindical, em relação aos 6,14%, seria de R$ 1,7 bilhão. Já com um reajuste de 7% esse impacto será de R$ 1,1 bilhão. Os dados do impacto, segundo o deputado, foram apresentados pelas centrais sindicais.

Logo após a reunião, os líderes foram para o plenário e o deputado Paulo Pereira apresentou requerimento de preferência para votação em primeiro lugar da Medida Provisória 475, que reajusta as aposentadorias de quem ganham mais de um salário mínimo. O requerimento foi aprovado, com votos contrários da liderança do governo. Com isso, caberá agora aos deputados votarem em primeiro lugar a MP 475. Isto é, antes das outras MPs que também trancam a pauta de votações. Em nome da liderança do governo, o deputado José Genoino (PT-SP) disse que o governo quer votar o reajuste e propôs o adiamento para amanhã da leitura do parecer à medida provisória, justificando que o líder do governo e relator da MP, deputado Cândido Vaccarezza, está reunido com o presidente discutindo o reajuste.

Tags:
Edições digital e impressa