As reações à medida do governo de aumentar em até 30 pontos porcentuais o IPI dos automóveis e caminhões que não cumprirem uma série de exigências – como 65% de índice de nacionalização – foram imediatas. A começar pelo presidente da JAC Motors, Sergio Habib, que disse que, "do jeito que está escrito o decreto hoje, o projeto de construção da fábrica da JAC Motors no Brasil é inviável".
Por sua vez, o presidente da Abeiva (associação que reúne as importadoras de veículos), José Luiz Gandini, afirmou que a entidade que lidera vai pedir para que a elevação de IPI por nível de conteúdo nacional nos carros importados entre apenas em vigor daqui, e não imediatamente, como estabeleceu o Ministério da Fazenda. Para ele, a medida é resultado do lobby da Associação Nacional dos Fabricantes de veículos Automotores (ANFAVEA), já que reúne as montadoras que fabricam no Brasil.
O assunto também recebeu no Financial Times. Para a publicação britânica, o país mudou o foco de sua política - passando de uma “guerra cambial” para uma política de protecionismo industrial. O “Financial Times” frisa que a moeda brasileira vale hoje 36% mais do que em janeiro de 2009, em relação ao dólar. Segundo a publicação britânica, que cita um levantamento do banco Barclays, os importados tinham o papel de frear um aumento maior da inflação no Brasil.
Gritaria
Sobre o conteúdo nacional e o aumento do IPI, o problema é o de sempre. Todos reclamam da guerra cambial e da valorização do real. Mas quando o governo toma medidas para defender a indústria brasileira, começa a gritaria.
Está evidente que, se houve algum erro, foi o de não exigir, como vem acontecendo com os empréstimos do BNDES e com outras medidas, compensações da indústria automobilística instalada no Brasil que se beneficia dos incentivos fiscais. Entre elas, carros menos poluentes, melhores, sem recalls a cada semana, com mais equipamentos de segurança, mais baratos. Ou seja, cláusulas sociais, trabalhistas, ambientais e de qualidade, conforme o setor, para além do conteúdo nacional.
É importante que o Brasil no mundo atual defenda a sua produção nacional e brasileira, já que não há nenhum obstáculo para que as empresas estrangeiras e o capital externo invistam no Brasil, praticamente em nenhum setor. Há a exceção, é lógico, do limite de 30% no caso das comunicações e aviação civil, índice que deve mudar nos próximos anos, chegando a pelo menos a 49%.
Empresas maquiadoras
Assim, não vejo razão para a choradeira, fora evidentemente dos setores que estavam lucrando - e muito - com as importações e a instalação de simples maquiadoras, como se fossem fábricas com cadeias produtivas no país, com pesquisas e desenvolvimento tecnológico, integradas no setor produtivo nacional e no esforço tecnológico que o país precisa fazer.