Em seu discurso de encerramento da Pleno do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, neste último fim de semana, o presidente cubano, Raúl Castro, acusou os EUA de promover a tortura a prisioneiros políticos, muitos deles na base militar de Guantánamo, a oeste da ilha cubana. O premiê também aponta o fato de que outros países europeus, entre eles a Alemanha, permitem o sobrevôo de aeronaves da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) sobre seus territórios, com prisioneiros políticos torturados. Castro citou as denúncias, em curso na Organização das Nações Unidas, em referência ás agressões norte-americanas ao governo cubano.
- Em todos estes anos ocorreram 713 atos de terrorismo contra Cuba, 56 deles a partir de 1990, organizados e financiados a partir do território norte-americano, com um saldo de 3.478 mortos e 2.099 incapacitados - relatou o irmão do antecessor no cargo, Fidel Castro.
A reunião do PC cubano também definiu os destinos do governo pelos próximos anos e encerra a etapa histórica da revolução comunista, em 1959, com a realização das eleições presidenciais e o fim do colegiado que governou a Ilha após a renúncia do comandante em chefe, em fevereiro deste ano.
Leia a íntegra do discurso do presidente cubano
"Julgo que tivemos uma boa reunião. Acho que vocês hão de concordar.
"O Partido conta com a fortaleza e experiência atingidas nestes difíceis anos de período especial. Ainda assim, seus dirigentes, quadros e militantes devemos trabalhar arduamente para continuar aperfeiçoando seu trabalho e sua autoridade perante as massas.
"A agenda tratada hoje em Plenário e os acordos adotados constituem um passo importante nessa direção e também na de afiançar o papel do Partido como vanguarda organizada da nação cubana, que o situará em melhores condições para enfrentar os desafios do futuro e, como expressou o companheiro Fidel, para assegurar a continuidade da Revolução quando aqui já não estejam seus dirigentes históricos.
"Nesse empenho, teremos, como meta principal, que seguir melhorando nosso ainda imperfeito, porém justo, sistema social diante da realidade atual que sabemos ser extremamente complexa e mutável, e tudo indica que assim seguirá sendo no futuro.
"Basta citar o preço dos alimentos em constante ascensão e o dos combustíveis, insustentáveis para os países subdesenvolvidos importadores de ambos, como também a mudança climática, que de uma forma ou outra os afeta. Por isso, há aqueles que já avistam grandes desordens e conflitos neste mundo diante da crescente fome, ao que se deve agregar o que pode se desencadear face a carência de fontes de abastecimento de água potável.
"A produção de alimentos deve constituir a tarefa principal para os dirigentes do Partido. É preciso estejam conscientes de que no presente e, até onde é possível vislumbrar, no futuro é um assunto de máxima segurança nacional.
"Em particular, exige dos primeiros secretários de municípios e províncias que dêem o máximo apoio e controlem rigorosamente, não por papéis e reuniões e sim no terreno, falando diretamente com os encarregados da produção sobre a execução das medidas que começaram a ser aplicadas na agricultura, sobretudo o trabalho das delegações municipais recém constituídas.
"Aos fatores que anteriormente mencionei, e que de per si tornam complexo o cenário em que nosso país se desenvolve, acrescento que se a extrema direita nos Estados Unidos conseguir se impor novamente nas eleições de novembro, o que não é uma certeza, mas uma possibilidade real, o clima mundial de instabilidade e violência continuará presente e poderia aumentar, com efeitos diretos para nosso país.
"O Partido, o Estado e o Governo, as organizações de massas, sociais e juvenis, enfim, nosso povo, deve ter em conta essas realidades e perspectivas.
Diante disto, não há outra alternativa que trabalhar unidos para seguir adiante