Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026

Raúl Castro adverte para pressões econômicas no ano que vem

Segunda, 01 de Agosto de 2011 às 22:00, por: CdB

HAVANA, 2 AGO (ANSA) - O presidente de Cuba Raúl Castro advertiu em seu discurso de apresentação das reformas econômicas que o país deve se precaver contra "pressões que se aproximam para 2012 no contexto global".
   
Ele justificou as medidas de incentivo ao capital e à propriedade privada como formas de "restaurar a disciplina financeira na economia cubana e enterrar a improvisação e as irracionalidades", e manifestou que seu governo vai persistir "em recuperar a credibilidade internacional na economia cubana".
   
As medidas, muitas das quais na prática já vinham sendo implementadas desde 2008, quando Raúl assumiu a Presidência no lugar de seu irmão Fidel Castro, possibilitaram um crescimento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do país no primeiro semestre do ano, já que Cuba passou a importar menos e exportar mais.
   
O atual chefe de Governo afirmou em seu discurso que prevê para até o fim de 2011 um crescimento de 2,9%, e disse que considera os resultados alcançados até agora como "satisfatórios".
   
Ele destacou, porém, que ocorrem "descumprimentos" das novas diretrizes nos setores da agricultura e das indústrias alimentícia, sideromecânica, indústria leve e de materiais de construção.
   
Segundo o presidente cubano, estes desvios ocorrem devido a "erros no planejamento e a falta de integralidade de suas direções". Na Assembleia Nacional do país, os parlamentares atribuíram as dificuldades financeiras ao burocratismo, à baixa produtividade do trabalho e à falta de ordem financeira.
   
O ex-ministro da Economia Marino Murillo, chefe da Comissão Permanente de Implementação e Desenvolvimento dos acordos do Congresso do Partido Comunista de Cuba (PCC), ocorrido em abril, disse que as medidas são para "descarregar ao Estado de gastos e funções que não lhe correspondem".
   
Ele detalhou algumas mudanças que ocorrerão na ilha, como a possibilidade de comercialização de casas. "Para vender uma casa a pessoa não terá que pedir permissão, pois a lei o autorizará. O direito lhe é dado pela lei e o cidadão o executa diante de um funcionário público a quem não tem que pedir permissão", colocou.
   
Murillo ainda indicou que outra medida aprovará as vendas diretas dos produtos agrícolas aos hotéis do país, sem a mediação de empresas estatais, como se faz atualmente.
   
Sobre o baixo poder aquisitivo do país, o ex-ministro afirmou que "é um assunto complicado. Mas temos que conseguir que as pessoas trabalhem bem e quando trabalhem bem, pagar-lhes bem". (ANSA)


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