Grupos de jovens franceses, filhos de imigrantes da África e Oriente Médio, queimaram mais de mil veículos na décima noite seguida de violência nos arredores de Paris. Após a morte de dois adolescentes, eletrocutados quando fugiam da polícia, fez explodir a onda de violência que, agora, espalha-se para outras grandes cidades francesas. Neste sábado à noite, os ataques foram dirigidos, pela primeira vez, para o Centro da capital francesa. Vários carros amanheceram queimados no Terceiro Distrito, sítio histórico da cidade milenar. Em Evreux, região da Normandia geralmente muito pacata, um shopping center atacado; além de uma agência do correio, duas escolas e 50 veículos foram queimados durante a madrugada.
A série de protestos violentos é um sinal claro da frustração de muitos jovens, a maioria desempregados, geralmente muçulmanos e negros de origem africana, revoltados com o tratamento da polícia, da sociedade e pela impossibilidade de se tornarem cidadãos franceses na amplitude do termo. Sentem-se cidadãos de segunda classe, segundo vários deles já disseram a jornalistas que têm acompanhado os eventos. As autoridades têm, cada vez mais, considerado a série de ataques como ações de gangues, do crime organizado e, em várias consultas a líderes comunitários, jovens e autoridades locais, o primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, até agora não identificou uma alternativa para colocar fim nas manifestações.
Embora não haja registro de feridos com gravidade nos incidentes, somente na madrugada deste sábado e manhã deste domingo, o total de veículos queimados em toda a França de 1.295, o mais alto até agora, nas contas do Ministério do Interior. Porta-voz do governo disse, na manhã deste domingo, que a violência em Paris parece ter chegado ao limite, mas que continuava a se disseminar por outros locais. Ao todo, foram convocados 2.300 policiais extras e sete helicópteros da polícia para reforçar o policiamento noturno da capital. As aeronaves sobrevoaram a cidade durante a noite, filmando os distúrbios e direcionando esquadrões para o local dos incidentes.
- Até o início da manhã deste domingo a polícia prendeu 193 pessoas. Os baderneiros têm evitado confrontos diretos com a força policial. Há alguma provocação, mas não há conflito direto - disse.
Ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, mesmo acusado de agravar as tensões ao chamar os jovens de "escória", ignorou até agora os pedidos para renunciar ou se desculpar. Após uma reunião do gabinete, no sábado, ele disse:
- Estamos tentando ser firmes e evitar provocação.
O primeiro-ministro, Dominique de Villepin vai divulgar um plano de ação para 750 bairros atingidos, até o final deste mês. Em Aulnay-sous-Bois, subúrbio a nordeste de Paris, milhares de moradores fizeram uma passeata levando um cartaz com os dizeres "Não à violência, Sim ao diálogo".