A chegada da TIM Participações ao segundo lugar do mercado brasileiro de telefonia móvel foi comemorada pela companhia, mas não deve alterar de forma significativa o cenário do setor no curto prazo.
Embora mantenham uma disputa acirrada por mercado, as operadoras têm concentrado o discurso na busca permanente por rentabilidade maior, seja por promoções de pacotes a usuários ou "limpeza" na base de usuários pré-pagos.
- O mercado já precificou o bom desempenho financeiro da TIM, a notícia (da vice-liderança) é positiva, mas já era esperada - diz a analista Rosângela Ribeiro, da corretora SLW.
- É preciso se focar na rentabilidade, conseguir market share não necessariamente é rentável.
Na terça-feira, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou dados de acessos para julho, mostrando que a TIM superou a Claro em mais de 600 mil acessos móveis, retomando a vice-liderança que tinha perdido em 2008.
A TIM, controlada pela Telecom Italia, tem apresentado bons resultados trimestrais e apenas um melhor posicionamento no ranking do setor não necessariamente significa a manutenção da rentabilidade, segundo analistas.
A Claro ainda possui uma grande base de clientes no Brasil, e tem, inclusive, registrado adições líquidas de acessos móveis mês a mês. A subsidiária da mexicana América Móvil indicou que vai se focar na criação de valor ao invés de priorizar apenas novas linhas.
A Vivo, por sua vez, apesar de consolidada como líder do segmento, superando a TIM em mais de 8 milhões de linhas móveis, também tem conseguido novas adições à sua base.
- Chamamos atenção para o desempenho muito positivo da Vivo, que está na liderança e ainda consegue ganhar market share, afirma a analista Luciana Leocadio, da corretora Ativa.
A TIM também tem enfatizado a rentabilidade do seu negócio, baseado principalmente em celulares pré-pagos, que responderam por 85,5% das linhas da operadora ao término do segundo trimestre. Em comparação, a Vivo tinha uma base de linhas pré-pagas de 7%, enquanto a da Oi era de 83%.
- A maior participação de pré-pagos na base (da TIM) leva a margens menores, contudo ainda atraentes - observou o analista da corretora Concórdia, Leonardo Girela Zanfelicio.
Para Luciana, da Ativa, as empresas já aprenderam a ter rentabilidade com pré-pago: "Às vezes essas linhas têm margem muito boa porque não há subsídios (na venda do aparelho ou na conta)".
De fato os números da TIM demonstram forte avanço na receita líquida e no lucro, mas há pressão sobre as margens da companhia devido a promoções a clientes.
Oi fica para trás
Entre as grandes operadoras no Brasil, a Oi é a que tem mostrado quedas consecutivas de participação de mercado nos últimos meses, atribuídas pela companhia, principalmente, a uma limpeza em sua rede, com a remoção de chips inoperantes por um prazo superior a 90 dias.
- Embora os números mensais de market share sejam extremamente voláteis, a Oi registrou um desempenho fraco em adições líquidas - escreveram os analistas Carlos Constantini e Susana Salaru, do Itaú BBA, em relatório.
Ranking de operadoras móveis muda
A chegada da TIM Participações ao segundo lugar do mercado brasileiro de telefonia móvel foi comemorada pela companhia, mas não deve alterar de forma significativa o cenário do setor no curto prazo.
Quinta, 25 de Agosto de 2011 às 19:57, por: CdB