O provável próximo presidente do Irã disse nestinta-feira que pretende reparar as relações com os Estados Unidos, mas que cabe a Washington dar os primeiros passos, após 25 anos de inimizade.
Akbar Hashemi Rafsanjani, em sua primeira entrevista desde que anunciou sua intenção de voltar à presidência, também disse que nunca abandonará o programa nuclear iraniano, o que equivaleria a ceder território do país.
- Isso é um direito legítimo da nossa nação, especialmente quando (o programa nuclear) está de acordo com as leis e regulamentos internacionais.
Rafsanjani, de 70 anos, já cumpriu dois mandatos como presidente, entre 1989 e 1997. Ele anunciou na semana passada que vai disputar as eleições de 17 de junho. Nas pesquisas, ele aparece bem à frente dos demais candidatos.
Muitos especialistas o consideram um conservador pragmático, com mais poder e influência para construir pontes com o Ocidente do que o reformista Mohammad Khatami, atual ocupante do cargo.
- Não há dúvida de que os Estados Unidos são uma superpotência do mundo e que não podemos ignorá-los - declarou Rafsanjani em seu escritório, num palácio de mármore e mosaicos usado pelo xá até a Revolução Islâmica de 1979.
Washington rompeu relações diplomáticas com Teerã em 1980, depois da tomada de reféns em sua embaixada. O presidente George W. Bush em 2002 inclui o Irã na lista de inimigos que chamou de "eixo do mal", junto com a Coréia do Norte e o Iraque de Saddam Hussein.
- Acho que os norte-americanos deveriam começar a adotar gradualmente um comportamento positivo ao invés de fazerem o mal. Eles não devem esperar uma reação imediata em troca das suas medidas positivas. Com o tempo, quando os iranianos testemunharem as medidas positivas dos EUA, então sentirão que os EUA abriram mão das suas políticas hostis - afirmou o candidato.
Uma sugestão de Rafsanjani aos EUA para iniciar tal aproximação seria liberar 8 bilhões de dólares em bens iranianos congelados nos Estados Unidos.
Questionado sobre o porquê de o Irã não tomar a iniciativa, Rafsanjani disse:
- Nunca somos os precursores em inimizades. Quando o nosso povo tem essa sensação de ser oprimido pelos EUA, dar um passo positivo por parte do oprimido indicaria que somos fracos ou poderia ser visto como uma manifestação de medo - enfatizou.
Rafsanjani, considerado no Irã como um excelente negociador, ajudou a forjar em 1985 um acordo secreto com o governo de Ronald Reagan para obter armas dos EUA, em troca da libertação de norte-americanos sequestrados no Líbano. Ele também teria tido um papel importante na conclusão da desgastante guerra Irã-Iraque (1980-1988).
Caso chegue à presidência, uma prioridade de Rafsanjani terá de ser a questão nuclear, que provoca atritos com Estados Unidos e União Européia. O Irã corre o risco de sofrer sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) se não abandonar seu programa de enriquecimento de urânio.
Rafsanjani prometeu empenho para aumentar a confiança do Ocidente e para impedir um confronto militar com Washington.
- "Uma das minhas motivações para concorrer foi usar minha familiaridade com a atmosfera diplomática internacional para resolver este problema. Acredito que a principal solução é obter a confiança da Europa e dos EUA e eliminar suas preocupações sobre a natureza pacífica da nossa indústria militar, assegurando a eles que nunca haverá um desvio (para fins militares) - declarou.
Desde que deixou a presidência, Rafsanjani comanda o Conselho de Expedição, um influente órgão de arbitragem, com poderes legislativos. Ali, influenciou toda a política, desde privatizações até as negociações nucleares.
A maioria dos iranianos o considera a segunda pessoa mais poderosa do país, atrás apenas do líder religioso supremo, aiatolá Ali Khamenei.
Rafsanjani prometeu mais educação, empregos e oportunidades sociais para os jovens, que são a ampla maiori