Rio de Janeiro, 15 de Março de 2026

Radicais seqüestram 30 pessoas no Centro de Bagdá

A polícia em Bagdá, no Iraque, informou que pelo menos 30 pessoas foram seqüestradas no centro da capital por atiradores usando uniformes camuflados. O seqüestro ocorreu no final da manhã desta quinta-feira na área comercial de Sanak, onde estão lojas de peças de automóveis. (Leia Mais)

Quinta, 14 de Dezembro de 2006 às 10:10, por: CdB

A polícia em Bagdá, no Iraque, informou que pelo menos 30 pessoas foram seqüestradas no centro da capital por atiradores usando uniformes camuflados. O seqüestro ocorreu no final da manhã desta quinta-feira na área comercial de Sanak, onde estão lojas de peças de automóveis. Testemunhas afirmam que os atiradores chegaram em cerca de dez veículos, cercando donos de lojas e pedestres, ordenando que todos se sentassem antes de selecionar suas vítimas.

No país, pessoas têm sido seqüestradas todos os dias, com corpos, muitos deles mostrando sinais de torutura, aparecendo por toda a cidade.

Guerra civil

Em novembro ocorreu um outro seqüestro em massa no Ministério da Educação Superior do Iraque, em um ambiente de guerra civil no país. O ministro Abd Dhiab afirmou na ocasião que um total de cerca de 150 funcionários foram levados na ocasião. Um porta-voz do governo iraquiano, porém, desmentiu Abd Dhiab, dizendo que o número inicial de reféns havia sido de 40. Vários policiais foram presos durante as investigações por suspeita de envolvimento no seqüestro, o que levantou questões sobre uma possível cumplicidade entre as forças de segurança e as milícias xiitas.

Muitos iraquianos acreditam que seqüestros em massa sejam cometidos por membros das forças de segurança, dominadas por xiitas, ou ocorram com a conivência destas. Cento e cinqüenta pessoas foram levadas do Ministério da Educação Superior do Iraque. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse nesta quarta-feira que não vai apressar sua decisão sobre como mudar a estratégia norte-americana para o Iraque.

Bush afirmou que está aceitando conselhos mas que não irá implementar "idéias que levariam à derrota", tais como "partir (do Iraque) antes que o serviço esteja terminado". Falando a repórteres em Washington, depois de uma reunião com altos funcionários do Pentágono, o presidente norte-americano disse que não iria desistir do objetivo de transformar o Iraque em uma democracia estável. Bush disse ainda que gostaria de dar ao novo secretário da Defesa, Robert Gates (que substituiu Donald Rumsfeld), a oportunidade de participar da nova estratégia. Este seria um dos motivos da demora em apresentar as mudanças.

'Direção ao caos'

Na semana passada, o aguardado relatório encomendado pelo governo norte-norte-americano ao Grupo de Estudos sobre o Iraque foi divulgado e pediu ações urgentes para evitar que o Iraque "escorregue em direção ao caos". O relatório apresentou 79 recomendações, entre elas a de que as tropas norte-americanas poderiam ser retiradas do Iraque até 2008. Bush reconheceu a necessidade de uma nova estratégia, mas até agora não aceitou as sugestões principais do documento - entre as quais está a inclusão de Irã e Síria no debate.

Esperava-se que o presidente anunciasse uma nova estratégia já na semana passada, mas na terça-feira a Casa Branca disse que não vai anunciar nenhuma mudança em sua política para o Iraque até o Ano Novo.

'Horrível'

O presidente norte-norte-americano admitiu que o nível de violência no Iraque desde a invasão liderada pelos EUA em 2003 tem sido "horrível". Bush afirmou que, nos últimos três meses, as forças norte-norte-americanas e iraquianas mataram ou capturaram cerca de 5,9 mil insurgentes. No entanto, segundo o presidente norte-americano, "o inimigo está longe de ser derrotado". Nesta quarta-feira, uma nova onda de ataques deixou pelo menos 41 mortos no Iraque, um dia depois de a explosão de um carro-bomba ter deixado pelo menos 70 mortos em Bagdá.
Militantes sunitas são apontados como culpados pela onda de ataques contra a maioria xiita iraquiana nas últimas semanas. No dia 23 de novembro, mais de 200 pessoas morreram em uma série de explosões em Cidade Sadr.

O mês de novembro foi o mais sangrento desde que os Estados Unidos invadiram o Iraque, em 2003.

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