Braço armado do Hamas, as Brigadas Izz El Deen Al Qassam declararam, nesta terça-feira, o fim de uma trégua de cinco meses e disparou foguetes da Faixa de Gaza contra Israel, mas o governo palestino liderado pelo grupo islâmico pediu que a trégua seja restaurada. Os radicais islâmicos atribuiram o reinício dos confrontos aos ataques de Israel ao território, neste fim de semana, que resultaram nas mortes de nove palestinos.
- Não há calma entre nós e a ocupação (israelense). A ocupação acabou com a calma - disse Abu Ubaida, porta-voz das Brigadas Izz El Deen Al Qassam, que mantinha o cessar-fogo desde novembro. O movimento do Hamas também culpou Israel pelo rompimento da trégua, mas não chegou a declarar formalmente o seu fim.
O governo palestino divulgou um comunicado pedido para que os dois lados honrem o cessar-fogo.
- O governo reitera seu desejo de que a calma continue e seja preservada de maneira que alcance os interesses nacionais do povo palestino - disse o porta-voz do governo, Ghazi Hamad.
Observadores dizem que há um debate dentro da cúpula do Hamas sobre a conveniência de adotar uma postura mais dura contra Israel. O grupo islâmico nega sofrer divisões. Um porta-voz militar israelense disse que pelo menos cinco foguetes foram disparados na terça-feira contra Israel, sendo que dois deles caíram perto de uma cidade no sul. Não há relatos de vítimas.
Helicópteros israelenses fizeram disparos com metralhadoras perto da cerca fronteiriça no sul da Faixa de Gaza, na tentativa de conter os foguetes, segundo testemunhas palestinas. Uma fonte militar israelense confirmou que houve ataques a bases de lançamento de foguetes naquela área. O Hamas em geral vinha respeitando a trégua, ao contrário de outros grupos, que continuavam lançando foguetes improvisados contra Israel.
Soldados israelenses mataram nove palestinos, inclusive cinco militantes, durante o fim de semana, levando os palestinos a pedirem represálias. Nesta terça-feira, o vice-premiê de Israel, Shimon Peres, disse que o Hamas não manteve o cessar-fogo e obrigou seu país a reagir militarmente. Fontes israelenses de segurança dizem que o Hamas vinha dando ajuda a outros grupos para o lançamento de foguetes.
- Nossa preocupação é de que na verdade eles não mantiveram o cessar-fogo que prometeram. Houve tentativas de penetrar no país, e não tivemos escolha senão prevenir isso - disse Peres à agência inglesa de notícias Reuters.
Em nota, as Brigadas Izz El Deen Al Qassam disseram ter disparado até 30 foguetes e 60 morteiros "em reação aos continuados crimes sionistas contra nosso povo na Cisjordânia e na Faixa de Gaza". O grupo diz que seus alvos eram comunidades israelenses e bases militares. O Hamas diz que não lançava foguetes desde o início da trégua, mas no mês passado assumiu a responsabilidade por tiros e morteiros na região da fronteira Gaza-Israel.