Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Racismo é alvo de nova campanha no país

Terça, 14 de Dezembro de 2004 às 19:23, por: CdB

Entidades brasileiras lançaram na terça-feira uma campanha contra o racismo, cujo objetivo é mostrar o preconceito disfarçado que existe no país.

Os organizadores dizem que a campanha "Onde você guarda seu racismo?", apoiada pelo governo, foi feita para mostrar que o arraigado racismo inconsciente, e não só causas econômicas, é o motivo das dificuldades de milhões de negros.

"Este racismo não pode existir sem racistas", disse Fernanda Carvalho, coordenadora da campanha, desenvolvida pelo grupo Diálogos contra o Racismo, que é formado por 40 organizações da sociedade civil. "O slogan da campanha assume que todo mundo aqui é um pouco racista e estimula as pessoas a identificarem seus preconceitos e se livrarem deles."

Ativistas gravaram aleatoriamente curtas entrevistas com cerca de 200 pessoas no Rio. O resultado vai passar na TV. "Se você pergunta a alguém se é racista, todo mundo diz não. Mas a questão 'Onde você guarda seu racismo?' provocou reações muito interessantes, chacoalhou as pessoas", disse Maurício Santoro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).

Segundo uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo, que ouviu 5.000 pessoas em todo o país, 87 por cento consideram que há racismo no Brasil. Mas apenas 4 por cento dos entrevistados admitiram agir de forma racista.

Entre os "esconderijos" do racismo estão as piadas, a herança étnica e a educação. "Uma resposta comum que chamou nossa atenção foi 'no medo', indicando que muita gente tem medo dos negros", acrescentou Santoro.

No lançamento da campanha, o militante negro Joel Borges contou como seu primo, dentista em São Paulo, foi morto neste ano pela polícia ao ser confundido com um assaltante, devido à cor da sua pele.

A dançarina Carmen Luz disse que ela e seus colegas foram maltratados em um hotel de luxo no Rio, que os obrigou a usar a porta de serviço. "O racismo deles era implícito, mas muito forte", afirmou.

"Sempre ouvimos dizer que no Brasil tudo se deve à pobreza em geral, não à cor da pele, mas temos dados claros mostrando que não é assim", afirmou Carvalho.

A estatísticas mostram que, no Brasil, os negros recebem menores salários que os brancos, mesmo que façam o mesmo trabalho. Além disso, têm menos acesso aos estudos e morrem antes. Poucos negros ocupam postos importantes no governo e nas grandes empresas.

Carvalho disse que o número de crianças brancas que conclui a escola primária é proporcionalmente muito superior ao de negras. "Elas normalmente têm o mesmo nível social, mas as crianças negras se sentem menos confortáveis na escola devido ao preconceito, como quando dizem que elas são preguiçosas, feias ou menos inteligentes."

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