Por Haroldo Pacheco da Silveira Santos 30/06/2011 às 18:41
Aspectos pouco comentados do racismo.
As tradições sobre a vida do escravo Esopo do século VI a. C. são contraditórias e duvidosas. Segundo Pierron ele nasceu na Trácia. É possível que as Fábulas de Esopo designem apólogos de procedência desconhecida.
Um intelectual brasileiro afirmou que este Esopo era negro. Acreditei como durante meses acreditei que os antigos egípcios eram predominantemente negros e como a maioria das pessoas durante anos acredita na versão oficial sobre as Olimpíadas de 1936.
Não é preciso fazer força para provar que Hitler era demente e medíocre. Não é necessário distorcer como a imprensa tem feito sobre o que ocorreu com o Owens para combater o nazismo e o racismo.
Não se valoriza adequadamente uma etnia ou um conjunto de etnias denegrindo-se outra. Antes que fosse revelada toda a extensão do Holocausto já se difamava o povo alemão e lhe colocavam qualidades negativas supostamente oriundas dos tártaros. No Brasil a Raquel de Queirós em um texto infeliz incorreu em dois erros: afirmou que os antigos arianos tinham olhos azuis e pareceu não reconhecer aos descendentes de alemães do Sul do Brasil o mesmo direito de serem brasileiros que teriam os brasileiros de outras origens.
Ainda no Brasil pessoas de pele bem escura ou nem tanto usam dizeres em camiseta que não contribuem para diminuir o racismo "100% negro". A verdade é que nas senzalas brasileiras muito antes da Abolição os escravos escuros já estavam bem misturados. Muitos deles tinham antepassados índios e alguns tinham antepassados brancos. Sem contar que os escravos negros que vieram da África para o Brasil eram dos mais diferentes tipos, não constituíam no conjunto uma raça definida.
Também certas imagens de propagandas comerciais, convocação para alistamento militar e certos livros didáticos confundem sobre as diferenças ditas raciais. Ninguém nasce racista mas tem ajudado na formação de racistas a apresentação de 3 tipos humanos de cores diferentes como se representassem tipos básicos formadores dos outros, que seriam intermediários.
Em homenagem aos negros numa Câmara de Vereadores há quase 10 anos em Santa Catarina, determinada militante falou revoltada "O que vocês sociedade dos brancos têm para nos dizer?" Ao que um raro político bom do PMDB, o Arinor Vogelsanger, respondeu: "O que nós temos a dizer é que vocês são nossos irmãos. Eu sempre me dei muito bem com a minha nora mulata." A militante citou ainda como necessariamente ruim a atitude do Rui Barbosa de mandar queimar os papéis que provavam a existência da escravidão no Brasil. Mas não se pode provar que a intenção dele era ruim. A mesma militante mostrou-se irritada com brincadeiras de seus colegas de trabalho que após voltarem da praia diziam que já estavam morenas quase como ela.
Compreende-se que no Brasil a vida da maioria dos negros não é fácil. Mas para superarmos o racismo é preciso superarmos certos argumentos primitivos.
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