Os acessos à conturbada Quito foram bloqueados nesta quarta-feira para impedir a entrada de simpatizantes do presidente do Equador, Lucio Gutiérrez, a fim de evitar confrontos com as milhares de pessoas que exigem a renúncia do mandatário nas ruas do país.
Muitos equatorianos criticam a participação dele em uma operação política usada pela maioria legislativa do governo para assumir o controle, em dezembro, da Suprema Corte (CSJ), afundando o país em uma grave crise política.
Em meio ao ambiente de conflito, em que um jornalista chileno foi morto, na noite de terça-feira, dirigentes do Partido Sociedade Patriótica (SP), governista, advertiram que seguidores do presidente estavam a caminho de Quito para proteger o Palácio Presidencial.
O prefeito de Pichincha, Ramiro González, confirmou à Reuters que a ordem de fechamento das vias de acesso a Quito, com a colocação de pedras e máquinas, é uma medida sem precedentes na história democrática recente do país andino.
Os protestos - em que participam de maneira pacífica mulheres, crianças e idosos -- começaram há oito dias. Na noite desta terça-feira, a polícia dispersou os manifestantes com violência, mas a multidão continuava cercando o Palácio Presidencial nas primeiras horas desta quarta-feira.
As manifestações, que incluíram multidões batendo em panelas e soando buzinas, começaram em Quito, mas se disseminaram para outras cidades importantes, como Guayaquil e Cuenca, levantando dúvidas sobre a capacidade de Gutiérrez em dirigir o país em meio ao conflito social.
O secretário da Presidência, Carlos Pólit, descartou a possibilidade de renúncia de Gutiérrez e atacou a oposição.
- Este é um governo eleito pelo povo para governar quatro anos - disse, na frente da sede do governo blindada, em imagem similar às registradas na queda de dois presidentes na última década.
O presidente assumiu o cargo em janeiro de 2003.