Cerca de 180 funcionários da companhia química Basf adquiriram a unidade de produção de químicos para o setor agrícola da empresa em Resende, no interior do Rio de Janeiro, informou um executivo da empresa nesta quarta-feira.
A nova empresa passará a se chamar SoluCia, e as operações da unidade --que produz e formula diferentes defensivos agrícolas-- serão mantidas, assim como os postos de trabalho, segundo a Basf.
- É o resultado da otimização da nossa cadeia produtiva na América do Sul. Nosso objetivo é reduzir a base de ativos e nos tornar mais competitivos no mercado agrícola global - justificou o presidente mundial da Divisão de Produtos para Agricultura da Basf, Hans Reiners.
Segundo ele, que não quis revelar os valores envolvidos no negócio, o novo modelo de gestão é inédito no setor. A mudança de propriedade está prevista para o dia 28 de fevereiro.
A SoluCia iniciará suas operações oficialmente em março como uma empresa nacional e prestará serviços para indústrias de produtos agroquímicos e intermediários para o ramo alimentício e farmacêutico.
- A SoluCia será capaz de continuar produzindo para a Divisão Agro da Basf e também atrair novos negócios - disse o atual diretor da fábrica de Resende e futuro presidente da nova empresa, Ulli Meier.
Ele estimou que nos próximos dois anos o parque industrial receberá 24 milhões de reais em investimentos para ampliar a capacidade produtiva.
Durante o anúncio da mudança na gestão da fábrica de Resende, a multinacional alemã informou que seus investimentos no Brasil no ano devem ficar em cerca de 5 milhões de dólares, dos quais 1,3 milhão será utilizado na ampliação da capacidade de produção do fungicida Ópera, utilizado no combate à ferrugem asiática da soja.
Até o momento, segundo a Embrapa, foram registrados focos de ferrugem em 335 municípios de 12 Estados brasileiros, mais o Distrito Federal. A doença, que chegou ao Brasil em 2001, causou perda de 4,5 milhões de toneladas de soja na safra anterior e também apareceu nos Estados Unidos no final do ano passado.
Reiners afirmou que o Brasil não deverá exportar fungicidas para o combate à ferrugem nos EUA, porque toda a capacidade de produção local está comprometida com a América do Sul.
- Não vejo capacidade extra neste momento para lutar contra a ferrugem asiática nos Estados Unidos. Teremos que recorrer à capacidade da Europa para os EUA.