Putin recebe a presidenta Dilma, em Moscou, para a cúpula do G20
O grupo dos Brics de economias emergentes pediu ao G20 (que engloba as maiores economias mundiais), nesta quinta-feira, que impulsione a demanda global e garanta que qualquer mudança na política monetária seja bem indicada para minimizar quaisquer "contágios" problemáticos que possam vir como resultado.
"A eventual normalização das políticas monetárias precisa ser efetivamente e cuidadosamente calibrada, e claramente comunicada", informaram, em nota, os Brics (grupo formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) depois que seus líderes se reuniram em São Petersburgo, na Rússia. O comunicado reflete as preocupações entre os países em desenvolvimento em relação à perspectiva de que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, irá reduzir sua política monetária ultrafrouxa (quantitative easing), e acerca da visão de que a Europa não está fazendo o suficiente para promover uma recuperação conduzida pela demanda.
Os Brics também concordaram em contribuir com US$ 100 bilhões para um fundo conjunto de reserva cambial. A China contribuirá com US$ 41 bilhões; Brasil, Índia e Rússia com US$ 18 bilhões cada um; e a África do Sul, com US$ 5 bilhões.
Empregos
A 8ª Cúpula do G20 reúne a partir desta quinta-feira, os principais líderes políticos do mundo. Em discussão, medidas para estimular a economia, o crescimento e a geração de emprego. Mas, estarão também em pauta questões que provocam divergências, como a iminência de invasão à Síria, anunciada pelos Estados Unidos. A presidenta Dilma Rousseff chegou na terça-feira a São Petersburgo e confirmou encontros bilaterais ao longo do dia. Ela esteve com o presidente da China, Xi Jinping, e o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, mas acertava os últimos detalhes para conversas com autoridades da Coreia do Sul e com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
Na semana passada, o governo do Brasil cobrou, com veemência, dos Estados Unidos informações detalhadas sobre as denúncias de espionagem, por agências norte-americanas, a dados da presidenta da República, autoridades brasileiras e cidadãos do país. As informações consideradas insuficientes põem em dúvida, inclusive, a possibilidade de Dilma ir a Washington (Estados Unidos) para primeira visita dela com honras de Estado. Nas discussões plenárias do G20, os líderes pretendem estabelecer metas e mecanismos que assegurem o crescimento econômico e a estabilidade financeira, a criação de emprego de qualidade e o combate ao desemprego, a busca de fontes de crescimento e de financiamento de investimentos, além do fortalecimento do comércio multilateral e da assistência ao desenvolvimento internacional.
Dilma e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, também pretendem cobrar dos Estados Unidos que ratifiquem a reforma do sistema de quotas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em 2010, foi aprovada uma reforma no sistema do FMI, que se destina a aumentar o peso dos países emergentes no organismo internacional, mas ainda não entrou em vigor. Obama foi à Suécia para obter apoio à intervenção militar na Síria, e buscará o mesmo durante as reuniões do G20. A assessoria de Obama confirmou reuniões dele com os presidentes da França, François Hollande, e da China, Xi Jinping, mas não descartou a possibilidade de um encontro com Dilma Rousseff. A França já anunciou apoio à operação na Síria, mas a China resiste à medida. A China, que é membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas tem direito a veto, assim como a Rússia.
Alerta global
Em meio às negociações iniciadas nesta quinta-feira, a Rússia e a China alertaram que o fim do programa de compra de títulos do banco central dos Estados Unidos (quantitative easing) pode ter um impacto profundo sobre a economia global e pediram cautela. Falando antes do início da cúpula do G20, a anfitriã Rússia e a China deixaram claras suas preocupações sobre a esperada redução da política de estímulo monetário multibilionário do Federal Reserve.
Zhu Guangyao, vice-ministro das Finanças da China, pediu que os Estados Unidos estejam "cientes dos efeitos e trabalhem para contribuir para a estabilidade dos mercados financeiros globais e para a recuperação estável da economia global".
Mas, falando a repórteres antes de uma reunião dos países dos Brics durante o G20, Zhu minimizou a possibilidade de um resgate para qualquer país em dificuldade financeira. O país mais afetado, a Índia, não falou com outros membros dos Brics apesar de ter feito um apelo público na semana passada por uma intervenção conjunta no câmbio depois que a rupia despencou, disse a coordenadora da Rússia para o G20, Ksenia Yudayeva.
– Não definimos ainda medidas específicas. Os países que têm enfrentado as maiores saídas de capital também têm fundamentos bastante fracos – disse Yudayeva em uma conversa com jornalistas, acrescentando que o cenário estará mais claro quando os ministros das Finanças do G20 se reunirem novamente em outubro, sugerindo que tanto fatores internos quanto externos afetam as economias mais problemáticas.
O chairman do Fed, Ben Bernanke, provocou vendas generalizadas em moedas de mercados emergentes, ações e títulos e uma fuga para o dólar quando levantou em maio a possibilidade de reduzir o programa de compra mensal de títulos no valor de US$ 85 bilhões pelo Fed.
A Índia também expressou preocupação com o fim do programa de estímulo monetário. Arvind Mayaram, secretário de assuntos econômicos do Ministério das Finanças, disse:
– Acho que deve haver um comunicado bastante forte sobre o G20 ter um consenso em relação à preocupação com os efeitos. Acho que se houver um comunicado forte... terá um importante impacto calmante sobre os mercados nas economias emergentes.
Ataque à Síria
Os líderes do grupo de economias emergentes Brics também expressaram, nesta manhã, durante reunião de instalação da cúpula do G20, preocupação de que um ataque militar contra a Síria possa prejudicar a economia mundial, disse o porta-voz do presidente da Rússia, Vladimir Putin.
– Foi notório em meio ao diálogo dos Brics que entre os fatores que podem afetar negativamente a situação da economia mundial estão as consequências de uma eventual intervenção externa sobre os assuntos Sírios. Tais consequências podem ter um efeito extremamente negativo sobre a economia mundial – disse o porta-voz Dmitry Peskov.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.