Rio de Janeiro, 12 de Outubro de 2026

"Quero consolidar um Brasil de classe média", afirma Dilma

Sábado, 13 de Agosto de 2011 às 10:08, por: CdB

Recomendo a leitura da 1ª parte da entrevista exclusiva da presidenta Dilma Rousseff concedida à Carta Capital - a 2ª será publicada na próxima edição. Nela, a presidenta reafirma as prioridades do seu governo, o compromisso com a retirada de 16 milhões de brasileiros da miséria e com a consolidação de um país de classe média, além de analisar os fatos recentes que agitaram o Palácio do Planalto.

Questionada sobre as investigações levadas pelo governo federal de denúncias de corrupção, a presidenta é categórica: "afastamos as pessoas quando achamos que o caso era grave". A presidenta Dilma aponta, ainda, que a corrupção é "inadmissível" frente a tão pouco dinheiro para atender as demandas do país. "Por uma questão não só ética e moral, mas de eficiência, você é obrigado a tomar providência", conclui.

Quanto à troca de ministros na pasta da Defesa, sob o lema "tem gente que olha para o passado, eu olho para o futuro", a presidenta reafirma sua convicção em torno do nome do ministro Celso Amorim. "Tenho certeza de que ele vai demonstrar uma grande capacidade de gestão. Vai levar à frente nossa Política Nacional de Defesa e vai fortalecer e modernizar as Forças Armadas".

Proteção ao setor nacional


Já sobre a crise financeira internacional, a presidenta afirmou que jamais pensou em sua vida ver "uma agência de classificação de risco rebaixar a nota dos títulos dos EUA ... Vivemos uma crise profunda, que, como todos sabem, não foi produzida pelos governos. Deve-se a uma crise do mercado financeiro, da sua desregulamentação, com aquiescência, aí sim, do poder público".

A presidenta alertou para o processo de emissão de dólares por parte do governo americano e o fato de o Brasil ser hoje um mercado "apetecible" para o mundo. "Começamos a tentar uma política bastante clara no sentido de conter esses avanços quando o governo colocou aquela tributação sobre os derivativos", explicou a presidenta.

A Chefe da Nação garantiu ainda seu compromisso com a indústria nacional. "Não vamos deixar inundar o Brasil com produtos importados por meio de uma concorrência desleal e muitas vezes perversa. Vamos fazer uma política de conteúdo nacional com inovação", garantiu.

O Brasil em 2014

A presidenta reafirmou nessa entrevista seus compromissos até 2014. "Farei tudo o que estiver ao meu alcance para que o Brasil, em 2014, tire 16 milhões de cidadãos da miséria", uma de suas promessas de campanha. A presidenta Dilma, também, afirmou seu desejo de consolidar um Brasil de classe média. "Que a nossa classe média tenha na educação um caminho para manter sua condição e que aqueles que estão um pouquinho acima da pirâmide social desses 16 milhões de miseráveis passem para a classe média".

Outro compromisso da chefe de Estado é com a área da saúde. "Não podemos ter hospitais em quantidade absurda, mas podemos ter uma política de regionalização, como tivemos no caso das universidades", afirmou.

Dentre as obsessões da presidenta está o "home care", programa ainda em estudo para levar o atendimento de um hospital às casas das famílias.  Segundo Dilma, o programa pode ser feito em escala maior com custo fixo muito pequeno e com custo variável interessante. "Isso vai descongestionar o tratamento final nos hospitais e diminuir a quantidade de tempo que as pessoas permanecem ocupando um leito", afirma.

Ela cita ainda os avanços na área.  "Começamos pelas UBS (Unidades Básicas de Saúde), estamos reequipando, remodelando e modernizando cerca de 40 mil unidades. Temos o mapa da pobreza feito pelo Censo, por grupo e região, e as 3 mil UBS que temos para construir vão para esses locais. O mesmo acontece com a Rede Cegonha. Não vamos conseguir fazer em todos os municípios, mas estamos começando por aqueles com o mais baixo nível de tratamento, de acesso a equipamentos de saúde", afirma.

Infraestrutura e direitos humanos


Sobre a Copa, a presidenta Dilma reafirmou que não vê risco algum de o país não oferecer a estrutura necessária ao mundial e analisou a situação dos aerportos no país. "Dos aeroportos com grandes problemas, temos São Paulo e Brasília, os demais têm muito menos problemas. Por isso decidimos fazer concessões privadas em ambos. Estamos perto de bater o martelo na formatação do leilão".

A presidenta explicou que o edital desta concessão sairá em dezembro e a contratação em fevereiro ou março. Serão concedidos 51% e os outros 49% ficarão com a Infraero. Serão concedidos para o setor privado a exploração comercial, a administração do aeroporto e sua ampliação. Continuam sob responsabilidade do governo o sistema de navegação e o de aproximação e o sistema público responsável pela gestão dos voos.

Outro tema analisado pela presidente é o trem-bala, importante em sua visão, porque "não se trata apenas de oferecer mais uma alternativa de transporte, mas de produzir uma reconfiguração urbana". Já quanto à Comissão da Verdade, a presidenta reafirmou "vamos cria-la". "Não há motivo nenhum para o PSDB e o DEM não a aprovarem. Não é algo que possa ser visto partidariamente, é uma dívida que temos".

Não deixem de ler a íntegra da entrevista da presidenta Dilma na Carta Capital desta semana.

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