Ao propor que a Comissão da Verdade investigue os que combatiam a ditadura, e ao defender o fim do anonimato dos que forem depor sobre os fatos investigados, bem como que as sessões não sejam secretas (leiam o Destaque do dia no alto do blog), os militares pretendem expor os que querem e podem colaborar com a Comissão à pressão das corporações.
Expô-los às ameaças e retaliações tão comuns até hoje dentro do mundo daqueles que participaram da repressão durante o regime militar. Repressão, repita-se, organizada e dirigida pelos comandos das Forças Armadas, estruturadas dentro dos Estados-Maiores depois da fase da repressão que recrudesceu (pós golpe militar de 64) com a chamada Operação Bandeirante (OBAN) e continuou nos conhecidos DOI-CODIs.
Não mencionei aqui nenhuma novidade. São órgãos que atuaram sobre as ordens dos comandantes das três Armas e da Presidência da República como vários documentos e testemunhos de participantes dos governos militares comprovam, além das pesquisas históricas em documentos oficiais.
A Comissão da Verdade - em tramitação no Congresso, ela pode ser votada ainda este ano - não constitui retaliação, revanchismo ou ameaça a paz nacional. Pelo contrário, ela representa, simplesmente, a necessidade vital de trazer a tona a verdade e fazer justiça.
Pelo menos isso: justiça. Que as famílias saibam como e onde foram torturados e assassinados seus filhos e pais e onde estão enterrados, para que possam viver em paz e tranqüilidade dando aos seus uma sepultura digna. Que se faça justiça e se recupere a memória de cada um que deu a vida na luta pela liberdade - a Comissão da Verdade é isto.
Rio de Janeiro, 06 de Agosto de 2026
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