O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu mais um passo para aproximar o governo do PMDB. Ele recebeu de manhã, no Palácio do Planalto, o presidente do diretório regional do partido em São Paulo, o ex-governador Orestes Quércia. De acordo com Quércia, o convite foi feito pelo governo.
À saída do encontro, Quércia disse que um dos temas da conversa foi o apoio do partido ao governo. Segundo ele, o PMDB está disposto a aliar-se ao governo, mas cobrou ousadia na área econômica.
- Nós apoiamos o governo e queremos que o governo ouse mais na questão do crescimento do Brasil. Eu disse a ele (Lula) que nós temos que ter uma ação no sentido, como têm os chineses e a Índia, de colaborar com a pequena e média empresa para que elas colaborem com o processo de exportação do país. Existe possibilidade de ter projeto nacional que não é o projeto da receita do FMI (Fundo Monetário Internacional). Nós, em São Paulo, por exemplo, queremos que o PMDB apóie o governo, mas queremos também que tenha um projeto próprio com características brasileiras - disse o ex-governador aos jornalistas.
Questionado sobre o fato de ter adotado posição contrária ao apoio de seu partido ao governo federal, Quércia afirmou que não criou obstáculos.
- Nunca coloquei objeção ao apoio do PMDB ao governo federal. Eu coloquei objeção a aspectos da política econômica porque acredito ser preciso ter um oponente nacionalista - explicou.
Para ele, apoiar o governo é uma forma de unir o PMDB.
- O que pode unir o partido hoje é um esforço para apoiar o governo no Congresso, na Câmara Federal e no Senado, o que já acontece com mais ênfase no Senado, e tem um pouco de dificuldade na Câmara - disse.
A candidatura do partido à presidência da República nas eleições do ano que vem também foi abordada. Segundo o ex-governador de São Paulo, o presidente Lula reconhece o direito dos peemedebistas de entrar na disputa, mas não é hora de discutir isso.
- O PMDB pode de alguma forma se unir mais no apoio ao governo Lula. Essa questão de candidatura a presidente ainda é um pouquinho afastada de hoje. Eu, pessoalmente, tenho proposta de ser candidato a presidente, mas hoje é importante ampliar essa conversa - ressaltou.
Quércia disse que uma possível aliança com o PT em 2006 não foi debatida e destacou que é contra a proposta.
- Eu acho que o PMDB tem que ter candidato a presidente - enfatizou.
De acordo com Quércia, outra reunião deve ser realizada com a participação do presidente nacional do PT, José Genoíno, e do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). O encontro será agendado pelo governo, segundo Quércia.
Quércia diz que PMDB está disposto a aliar-se ao governo
Segunda, 04 de Abril de 2005 às 13:18, por: CdB