Rio de Janeiro, 14 de Maio de 2026

Quênia: não há evidências da participação da Al Qaeda em ataques

Sábado, 30 de Novembro de 2002 às 13:09, por: CdB

A Polícia do Quênia liberou duas pessoas - uma norte-americana e o marido espanhol - que estavam detidos para interrogatório sobre os atentados em Mombasa e afirmou que nenhum dos outros 10 presos tem vínculos com a rede terrorista Al Qaeda. Sobre o casal liberado, identificado como Alicia Kalhammer e José Tena, a Polícia concluiu que eles não tiveram qualquer ligação com os atentados, que deixaram 13 mortos, além dos três homens-bomba envolvidos. As autoridades ainda mantêm detidos seis paquistaneses e quatro somalis, sob alegação de que entraram ilegalmente no país. Indagado se já havia alguma evidência ligando os suspeitos à rede terrorista de Osama bin Laden, o ministro da Segurança Interna do Quênia, Julius Sunkuli, foi categórico: "Nada até agora". Os paquistaneses e os somalis chegaram ao país na costa oriental da África no começo da semana, em um barco procedente de Zanzibar, na Tanzânia. Alguns portavam documentos inválidos, o que levantou suspeitas. O casal liberado, por sua vez, declarou não guardar mágoa da Polícia por ter sido detido. "Não tenho ressentimentos", disse Alicia, 31 anos. "Adoramos o Quênia. Adoramos os quenianos e sabemos que eles estavam fazendo o trabalho deles". O marido, José, contou que logo após tomar conhecimento do ataque ao Hotel Paradise, em Mombasa, decidiu deixar o hotel onde estava com a esposa e procurar um local mais seguro no Quênia. O casal foi detido quando tentava sair do hotel. "Aparecia na televisão, em todos os noticiários", lembrou. "Achamos que o nosso hotel poderia ser alvo também. Era o que qualquer pessoa normal faria (fechar a conta)". Na quinta-feira, 13 pessoas - dez quenianos e três israelenses - morreram quando três homens-bomba jogaram um carro repleto de explosivos contra os portões de entrada do Hotel Paradise. Menos de uma hora antes, um avião de companhia comercial israelense Arkia, com 271 pessoas a bordo, escapou por pouco de um ataque com mísseis. Investigadores quenianos e israelenses dedicam o sábado a revirar os escombros do hotel, em busca de evidências que possam determinar a responsabilidade pelo atentado. Já foi encontrada uma caixa com um fio conectado, a qual poderia ser parte de um detonador manual para acionar os explosivos que arrasaram o hotel, que é de propriedade israelense. Os investigadores também rastreiam os antecedentes do veículo verde usado no atentado e ainda tentam definir a identidade dos três homens-bomba. Até o momento, a Polícia descobriu que o carro circulava no Quênia desde 1991 e mudou de mãos pela última vez em 1998. Entretanto, não se sabe ainda quem era o proprietário do veículo nos últimos quatro anos. Após os ataques, o embaixador queniano em Israel culpou a Al Qaeda. Já em Washington, um porta-voz do presidente norte-americano, George W. Bush, disse ainda ser prematuro afirmar o envolvimento da rede de bin Laden.

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