Rio de Janeiro, 20 de Agosto de 2026

Quem tem muito cacique não tem nenhum

Sexta, 21 de Janeiro de 2011 às 07:10, por: CdB

O presidenciável derrotado José Serra, o governador Geraldo Alckmin e o senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) engalfinham-se na disputa pelo controle do PSDB e,  já, da sucessão em 2014 (leiam, acima, Oposição em crise, dividida e sem rumo).

José Serra quando reaparece - como aconteceu em Fortaleza agora - dá sinais claros de que é candidatíssimo a presidente da República de novo, em 2014 e pela 3ª vez. Pior, ainda, para eles, é quando José Serra, que já perdeu duas vezes a Presidência, faz o jogo amarrado de mal despiste - finge e não deixa claro nem que é nem que não é candidato ao Planalto. Mas, também, não deixa a condição de futuro candidato...

Já o senador Aécio, a partir de Minas e do governo Antônio Anastásia, não faz outra coisa a não ser tratar de 2014, de sua candidatura presidencial na próxima eleição. Inclusive, preparando a candidatura ao Palácio da Liberdade de Márcio Lacerda (PSB), hoje prefeito de BH e candidato à reeleição no ano que vem. E numa vã tentativa de envolver o PT...

Melhor situação é a de Alckmin

Dos três ou quatro líderes que se digladiam no tucanato (sim, FHC continua a postos), Geraldo Alckmin é o que está em posição mais confortável: governa São Paulo, conta com a poderosa máquina paulista; terá a maioria do partido no Estado, previsivelmente este ano, na eleição municipal do ano que vem, e na de 2014; e pode ser candidato à reeleição ou a presidente daqui a 4 anos.

Para piorar tudo, os tucanos não se entendem com relação ao governo Dilma. Estimulado por José Serra, um setor quer fazer oposição radical, do quanto pior melhor, ao Palácio do Planalto. Basta ler as declarações de Serra em seu Twitter. Já Alckmin, Anastasia e os demais governadores tucanos não querem saber de oposição. Precisam governar e manter relações institucionais com o governo Dilma.

Risco nas duas situações: oposição radical a um governo que acaba de ser eleito e apoiado por ampla maioria nacional; ou, não ser e chegar às disputas eleitorais de 2012 e 2014 naquela posição híbrida que tinham no começo da campanha eleitoral de 2010, quando não eram nem oposicionistas nem governistas. Uma parte fazia cara de paisagem em relação ao presidente Lula e a outra fazia oposição.

Resumo da ópera: assim caminha o tucanato. Sem eira e nem beira.

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