Empresas que investem em inovações tecnológicas têm 16% mais chances de serem exportadoras do que as que não realizam esse tipo de investimento. É o que constata pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O estudo analisa 72 mil empresas industriais de todo o país com mais de dez funcionários. Apesar de representarem apenas 2% da indústria brasileira, as companhias que inovam seus produtos são responsáveis por 26% do faturamento industrial e por 13% do emprego gerado.
Segundo o presidente do Ipea, Glauco Arbix, usar a tecnologia para diferenciar e inovar os produtos é fundamental para alcançar sucesso nas exportações.
- As empresas que inovam têm maior competitividade no mercado externo. Estão olhando o que há de melhor fora do país e se constituem em um grande exemplo para as empresas brasileiras - afirma.
Já para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, as empresas têm que competir pela diferenciação e pela tecnologia. Ele apontou ainda que o Brasil precisa divulgar aos mercados externos os produtos que são produzidos aqui.
Glauco Arbix conta que os resultados do estudo permitem que o governo identifique políticas públicas que fortaleçam as estratégias competitivas voltadas para a produção. Se - ajudarmos com isenções fiscais, com incentivos para que adquiram uma cultura inovadora, e facilitarmos os processos de exportação isso é bem vindo - defende Arbix.
O presidente do Ipea explica que inovação tecnológica deve ser entendida como algo mais amplo do que apenas investimento em máquinas.
- Abrange também a marca, a embalagem, é uma mudança naquilo que é fabricado que faz com que o produto seja especial. Esse diferencial é extremamente importante por que ele é o motor dos negócios daquela empresa - afirma.
O estudo do IPEA foi realizado pelos pesquisadores Mário Salerno e João Alberto De Negri. Os resultados estão apresentados no livro <i>Inovações, padrões tecnológicos e desempenho das firmas industriais brasileiras</i>. Na análise, as empresas foram divididas em três grupos: as que inovam e diferenciam produtos, as especializadas em produtos padronizados e as que não diferenciam produtos e têm menor produtividade.