30.06.2011
Mário Maestri
Humaitá, a Sebastopol guarani, cerrava ameaçadora a navegação em direção a Asunción. Quando da guerra do Paraguai [1864-1870], o Império lamentava-se de ter contribuído, anos antes, à sua construção, para proteger o então aliado da ameaça de Juan Manoel de Rosas [1829-1832], senhor da Argentina. Após 1870, a paternidade da fortaleza seguiu sendo comumente apresentada pela historiografia brasileira como prova das boas disposições tupiniquins. Se o Império pretendesse atacar o Paraguai, jamais levantaria as fortificações que detiveram até inícios de 1868 a poderosa esquadra imperial.
Durante a guerra, José Antônio Pimenta Bueno apresentou-se como idealizador da fortificação, quando representante do Império em Asunción [1844]. Em Memória publicada após sua morte, o marquês de São Vicente [1803-1878] registrou que sua contribuição consistira em recomendar, a Carlos Antonio López, um "tenente-coronel prussiano" que combatera com os liberais mineiros. O oficial teria riscado o "plano de Humaitá" e "a planta estratégica da estrada desde o Passo da Pátria até Assumpção".