Rio de Janeiro, 02 de Outubro de 2026

Queiroz viajou com passagem do PSOL e sem autorização da PF, diz Itagiba

Presidente da CPI do Grampo e delegado federal, o deputado Marcelo Itagiba diz que o també delegado federal Protógenes de Queiroz recebeu passagens aéreas de parlamentar do PSOL para atos de natureza política, o que é vedado à autoridade que não tenha autorização de seu superior hierárquico para viajar. (Leia Mais)

Terça, 21 de Abril de 2009 às 09:32, por: CdB

O recebimento de passagens aéreas pelo delegado Protógenes Queiroz, pagas pela Câmara dos Deputados para a bancada do PSOL, foi classificado como ato político pelo deputado e presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas, (também conhecida como CPI do Grampo), Marcelo Itagiba (PMDB/RJ), para quem Protógenes necessitaria de uma autorização da própria Polícia Federal para “fazer esse tipo de ação”.

O delegado Protógenes Queiroz foi o coordenador da Operação Satiagraha, que resultou na prisão do banqueiro da Daniel Dantas, posteriormente solto por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Depois de apresentar o relatório que incriminou o banqueiro, Protógenes acabou afastado das funções e está sendo investigado em inquérito da própria Polícia Federal por suspeita de vazar informações sigilosas da Operação Satiagraha para a imprensa. Ele ainda responde a uma sindicância interna para apurar participação em atividade político-partidária, o que é proibido pela instituição.

– Para viajar e fazer esse tipo de ação, deve-se ter autorização de superiores. Quando se viaja pelo Departamento de Polícia Federal, viaja-se com passagens expedidas pelo departamento de Polícia Federal e com a expedição das devidas diárias. Esta questão me parece muito mais uma questão política do que institucional – afirmou o deputado. Segundo ele, a emissão de passagens para o delegado por um partido político “não parece o (ato) mais correto e o mais adequado”.

Em seu blog, o delegado Protógenes Queirroz se defendeu das acusações de utilizar indevidamente passagens aéreas destinadas pela Câmara ao PSOL, dizendo que é sempre convidado para proferir palestras pelo Brasil e desconhece como essas despesas são pagas.

– Sou convidado, com freqüência, para proferir palestras em vários pontos do país, tendo sempre como tema meu trabalho cotidiano, ligado ao combate à corrupção e à criminalidade. Nada cobro e nada recebo por essas palestras além das passagens aéreas e, se necessário, a hospedagem, que são fornecidas por aqueles que fazem o convite. Desconheço por quem ou de que forma essas despesas são pagas – diz o delegado.

Para Protógenes, a notícia de que foi beneficiado com cotas de passagens da Câmara foi fabricada com “o propósito exclusivo de, em defesa do banqueiro condenado Daniel Dantas, criar situações que diminuam a força e energia deste cidadão que exerce o seu munus de natureza pública”.

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