Rio de Janeiro, 24 de Outubro de 2026

Queiroz vai voltar à <i>Operação Satiagraha</i>

A permanência dos dois agentes da Polícia Federal afastados no início da semana na Operação Satiagraha podem ser decisivas para a permanência do delegado Protógenes Queiroz nas investigações sobre os possíveis crimes do banqueiro Daniel Dantas. Os delegados Karina Murakami Souza e Carlos Eduardo Pelegrini Magro anunciaram, na noite desta quinta-feira, após a PF liberar trechos da reunião da última segunda-feira, quando foi definido o afastamento de Queiroz. Instituto de Criminalística encontra mais provas contra Dantas

Sexta, 18 de Julho de 2008 às 08:03, por: CdB

A permanência dos dois agentes da Polícia Federal afastados no início da semana na Operação Satiagraha podem ser decisivas para a permanência do delegado Protógenes Queiroz nas investigações sobre os possíveis crimes do banqueiro Daniel Dantas. Os delegados Karina Murakami Souza e Carlos Eduardo Pelegrini Magro anunciaram, na noite desta quinta-feira, após a PF liberar trechos da reunião da última segunda-feira, quando foi definido o afastamento de Queiroz.

A edição do Jornal Nacional, da TV Globo (que vem mantendo acesso a dados exclusivos sobre a operação federal), desta quinta-feira, lembrou que o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, considerou importante a presença de Queiroz nas investigações.

- Esse delegado tem de ficar no caso. Esse cidadão não pode, depois de fazer uma investigação de quase quatro anos, na hora de finalizar o relatório, dizer "eu vou embora fazer meu curso" e ainda dar vazão a insinuações de que ele foi tirado - disse Lula.

O procurador da República Rodrigo de Grandis argumentou que, mesmo se o delegado voltar às investigações, ele não deverá permanecer como líder da equipe, mas o fato não atrapalhará as investigações. De Grandis pretende pedir uma série de diligências à PF para apurar suspeitas que ainda não estão comprovadas pois, segundo afirmou, "o inquérito ainda está longe de terminar".

A reunião dos delegados Murakami Souza e Pelegrini Magro, na PF, nesta quinta-feira, em São Paulo, segundo fonte na instituição, "é um forte indício da volta de Protógenes Queiroz ao caso", embora o inquérito passe a ser presidido pelo delegado Ricardo Saadi, chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros em São Paulo.

Conflito de interesses

Ao cruzar as informações obtidas pela fiscalização do Banco Central (BC) no banco Opportunity com dados do disco rígido do banco, apreendido pela Operação Chacal, em 2004, o Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Federal encontrou uma triangulação caracterizada como "lavagem de dinheiro", segundo afirmou um dos técnicos da instituição. Uma conta do banqueiro Daniel Dantas transferiu R$ 37 milhões para uma empresa cujo principal sócio é o Opportunity Fund, baseado nas Ilhas Cayman, controlado pelo próprio Dantas.

O relatório do IC mostra que a empresa Topázio Participações Ltda. recebeu de Dantas, em 29 de maio de 2005, um crédito de R$ 37.690.000 e, nessa mesma data, a Topázio transferiu R$ 37.415.589,00 para a empresa Parcom Participações S/A, cujos principais sócios, conforme organograma obtido pelos agentes federais, são o Opportunity Fund e a Fortpart S/A. Com isso, o dinheiro de Dantas, que seria de origem ilícita, teria sido lavado e retornado para o seu bolso. Tanto a Parcom quanto  a Fortpart são tidas pela PF "empresas de prateleira". Na direção dessas empresas estava a irmã do banqueiro, Verônica Dantas.

Segundo as conclusões do IC, há falhas no controle interno do Opportunity contra lavagem de dinheiro e todas guardam relação exclusiva com a família Dantas e funcionários do próprio Opportunity. Segundo o documento, "estão excluídas de monitoramento do Sistema PDLD (Prevenção de Detecção de Lavagem de Dinheiro) quaisquer operações realizadas pelos funcionários, diretores, familiares e empresas ligadas ao Banco Opportunity, bem como as realizadas pelas pessoas físicas e jurídicas das empresas ligadas à marca Opportunity da família Dantas".

Ainda segundo a PF, houve omissão de executivos do banco em relação às operações de Dantas e seus familiares. De acordo com o Instituto de Criminalística, os responsáveis pelo controle interno não comunicaram as movimentações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), contrariando regra do Banco Central. A omissão dos executivos estaria relacionada, segundo documento da autarquia, a um "conflito de interesses".

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