Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2026

Queiróz desconfia que <i>grampo</i> no STF foi escândalo fabricado

Terça, 23 de Dezembro de 2008 às 10:43, por: CdB

O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz voltou a disparar contra o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, ele duvidou da existência de grampo realizado contra o magistrado, durante a Operação Satiagraha. Em frente às câmeras, o delegado federal requalificou Daniel Dantas de "banqueiro bandido e condenado". Durante o programa, o delegado disse desconhecer qualquer grampo ilegal na conversa entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

– Levaram o nome de duas importantes pessoas da República fabricando um escândalo. Eu acredito que não houve grampo. Não existe áudio. Logo que foi anunciado (o suposto grampo) eu mesmo perguntei 'cadê o áudio?'. Eu quero o áudio – afirmou.

Segundo Queiroz, "a partir de vários outros momentos deixou-se de falar da conduta de um banqueiro, que na verdade é um criminoso".

– Eu estou na condição de investigado porque os veículos (de comunicação) informaram ao leitor uma afirmação mentirosa – disse.

A própria Polícia Federal iniciou uma investigação após a suposta escuta ao presidente do STF, contra o delegado, por desvio de conduta e quebra de sigilo funcional. O delegado foi acusado de permitir que fossem filmadas as pessoas presas na operação.

Em julho, a PF realizou a operação que investigou denúncias de lavagem de dinheiro, desvio de verba pública e corrupção. Foram presos políticos, como o ex-prefeito Celso Pitta, e investidores, além de Dantas, dono do grupo Opportunity.

O delegado reduziu a repercussão das cenas com suspeitos algemados:

– A imagem do bandido poderoso não choca a população. (Mostrar o ex-prefeito Celso Pitta de pijama) não prejudica a investigação nem choca a população. O que me choca e o que choca a população, e que ninguém comenta, são crianças algemadas – disse.

A Operação Satiagraha teve início há três anos, como desdobramento do caso do mensalão. O trabalho da CPI dos Correios levou a Polícia Federal a iniciar uma investigação, que acabou apresentando indícios dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, formação de quadrilha, gestão fraudulenta, além de uso indevido de informação privilegiada.

Entre os entrevistadores estavam os jornalistas Ricardo Noblat, colunista de O Globo e escritor do Blog do Noblat; Renato Lombardi, da TV Cultura; Fernando Rodrigues, da Folha e Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo.

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