Rio de Janeiro, 31 de Agosto de 2026

Queda nos preços reduz valor da produção agrícola nacional

O valor da produção agrícola brasileira caiu 5,3% em 2009, totalizando R$ 140,8 bilhões. Esse volume representa uma redução de R$ 8 bilhões em relação ao registrado no ano anterior, o que pode ser explicado principalmente pela queda na produção de itens, como o milho (-13,9%), café (-12,8%), algodão herbáceo (-27,3%), trigo (-16,1%) e a soja (-4,2%). Além disso, alguns produtos como o milho, feijão, café e trigo tiveram preços inferiores aos de 2008.

Quarta, 20 de Outubro de 2010 às 11:36, por: CdB
O valor da produção agrícola brasileira caiu 5,3% em 2009, totalizando R$ 140,8 bilhões. Esse volume representa uma redução de R$ 8 bilhões em relação ao registrado no ano anterior, o que pode ser explicado principalmente pela queda na produção de itens, como o milho (-13,9%), café (-12,8%), algodão herbáceo (-27,3%), trigo (-16,1%) e a soja (-4,2%). Além disso, alguns produtos como o milho, feijão, café e trigo tiveram preços inferiores aos de 2008. Em relação à área plantada, houve crescimento de 0,3%, somando 65,7 milhões de hectares. Os dados fazem parte da Pesquisa Agrícola Municipal – Cereais, Leguminosas e Oleaginosas, divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento investigou 64 produtos, em 5.565 municípios. De acordo com o documento, a soja continua sendo a cultura que mais contribui para o valor da produção, respondendo por 27% do total, o que equivale a R$ 38 bilhões. A liderança foi mantida apesar da redução da safra, influenciada pelo custo de produção, superior ao verificado no ano anterior, o que levou os produtores a implantar lavouras com menos tecnologia; além de problemas climáticos, com períodos de estiagem na Região Sul. Com relação à área cultivada, houve aumento de 2,4%, atingindo 21,7 milhões de hectares. Em seguida, aparece a cana-de-açúcar com 17% do total (R$ 24 bilhões), beneficiada pela valorização do açúcar no mercado internacional e pelo aquecimento dos preços do etanol no mercado interno. Em relação à produção, o aumento de 4,0%, garantindo o recorde de 671,4 milhões de toneladas, no entanto, foi menor do que o observado em 2008 (17,4%). A redução no ritmo de crescimento pode ser explicada pela crise econômica internacional, que diminuiu a oferta de crédito, acarretando uma retração no processo de implantação de novas usinas e redução na expansão dos canaviais observada nos últimos quatro anos. Já a área colhida aumentou 4,6%. Em terceiro lugar, aparece o milho, responsável por 14% do valor da produção agrícola brasileira. A cultura (50,7 milhões de toneladas) foi prejudicada por problemas climáticos, pelo desestímulo ao plantio em função dos estoques elevados no mercado nacional, além da baixa cotação do produto, e pela crise financeira internacional, que resultou em incertezas sobre a comercialização futura do produto. A área colhida teve redução de 5,5%. Liderança paulista O Estado de São Paulo manteve a liderança na distribuição dos valores da produção agrícola em 2009, passando de 15,6% de participação no ano anterior para 16,3%. Ele é o principal produtor de culturas como cana-de-açúcar, laranja, amendoim, banana, entre outros. Em seguida, aparece Mato Grosso que, em função da boa safra do milho (incremento de 4,9% na produção e de 15,5% no rendimento obtido), passou a responder por 12,8% do valor da produção no país. No ano passado, a produção agrícola brasileira totalizou R$ 140,8 bilhões. Ainda de acordo com a Pesquisa Agrícola Municipal, o Estado do Paraná caiu da segunda para a quarta colocação e foi responsável por 11,8% do total nacional. A produção paranaense foi prejudicada por problemas climáticos. As principais culturas verificadas no estado foram as de milho (22,1%) e soja (20,3%), que também sofreram redução no período. Entre os municípios, o levantamento destaca que, dos dez principais produtores, sete estão em Mato Grosso, sendo Sorriso o que registrou o maior valor de produção em 2009 (R$ 1,33 bilhão), apesar da queda de 10,4% em relação a 2008. Ele também é o maior produtor de milho e soja no país. O município baiano de São Desidério, maior produtor de algodão herbáceo, ficou em segundo lugar, com valor de produção de R$ 1,07 bilhão e queda de 18,3% em relação a 2008. Cana-de-açúcar A pesquisa do IBGE acrescenta que a produção de cana-de-açúcar gerou recorde de R$ 24 bilhões ao longo do ano passado e valor representa acréscimo de 16% em relação ao que fora apurado em 2008. O resultado deve-se especialmente à produção recorde de 671,3 milhões de toneladas, aliada aos maiores preços do açúcar e do álcool respectivamente, nos mercados internacional e nacional. Ano passado, a Índia, principal produtor mundial de açúcar, teve problemas na safra. Com a falta dessa oferta, o preço subiu, e os produtores de cana-de-açúcar brasileiros passaram a direcionar maior parte da matéria-prima para a produção de açúcar. Ao mesmo tempo, houve incremento significativo nos preços do álcool combustível no Brasil. Esses fatores influenciaram no aumento dos preços da cana. O IBGE acrescenta que a produção de cana poderia ter sido ainda maior, caso não ocorressem fortes chuvas no segundo semestre. A crise também se refletiu nos canaviais, restringindo novos investimentos e a implementação de novas usinas. A alta de 16% fez com que a cana tivesse o segundo maior valor de produção entre 64 produtos pesquisados pelo IBGE, ultrapassando o milho. O valor da cana representou 17% do total. O valor gerado pelo milho foi de R$ 15 bilhões, ou 10% do total. Em 2008, essa proporção era de 14%, pouco acima da cana, com 13,9%. A soja, apesar de ter gerado valor 2,8% menor, ainda segue na ponta, com total de R$ 38 bilhões, o equivalente a 27% do total. Ao todo, a produção agrícola nacional gerou R$ 140,8 bilhões no ano passado, recuo de 5,3% frente ao verificado em 2008. Essa retração teve influência da crise econômica, que reduziu a demanda mundial pelas commodities agrícolas, depois de forte pressão em 2008, e, em menor escala, de fatores climáticos. Se os valores de produção forem analisados entre os estados, São Paulo foi responsável por 16,3%, a maior participação; em 2008, essa proporção era de 15,6%. O Paraná, que era vice-líder em 2008, com 14,8%, perdeu espaço, e com 11,8% do valor gerado pela agricultura, caiu para a quarta posição. O Mato Grosso tomou a segunda colocação, com participação de 12,8% -- tinha 10,8% em 2008. São Paulo destacou-se especialmente pela produção de cana. Segue líder, ainda que tenha perdido espaço. Em 2009, 57,9%, ou 388,9 milhões de toneladas da produção nacional saíram das lavouras paulistas -- no ano anterior, essa proporção era de 59,8%. Minas Gerais, com 8,7% do total ou 58,4 milhões de toneladas, ultrapassou o Paraná e se tornou o segundo maior produtor de cana do país.
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