A alta nos preços das matérias-primas e a demanda em queda podem reduzir as margens de lucro de siderúrgicas e produzir sucesso na tentativa de Pequim em conter a expansão na capacidade da China de produzir aço e alumínio e reduzir também temores de um excesso de produção mundial.
Analistas e executivos da indústria alertam que os setores siderúrgico e de alumínio do país já não podem esperar que mercados externos absorvam os superávits que resultam de anos de expansão explosiva de capacidade produtiva.
Temendo uma aterrissagem complicada para a sétima maior economia do mundo, Pequim vem se esforçando há pelo menos um ano para conter o investimento e os empréstimos a setores superaquecidos como os de aço e alumínio, impondo diversas medidas como a redução ou abolição de incentivos fiscais às exportações.
Agora, o país está sendo ajudado por fatores macroeconômicos.
"Os preços do minério de ferro estão altos. A eletricidade é escassa. Os setores não estão ganhando muito dinheiro", disse Michael Komesaroff, da Urandaline Investments, falando dos segmentos de aço e alumínio, que consomem energia intensamente.
"Se não existe lucro, não existe incentivo para que as pessoas violem a regra", disse Komesaroff, diretor-executivo da empresa sediada na Austrália, e especialista em assuntos chineses.
Executivos da indústria de navegação dizem que a demanda chinesa por matérias-primas -como o minério de ferro necessário para produzir aço, fornecido pela Companhia Vale do Rio Doce, BHP Billiton e Rio Tinto - caiu nas últimas semanas.
Isso ajudou a reduzir em cerca de 10 por cento o Baltic Dry Index, referência mundial para o frete naval de bens secos, desde o começo da última semana.
Alguns representantes da indústria siderúrgica estimam que a produção de aço bruto em 2005 pela China, maior produtor e consumidor do mundo, pode não subir tão rápido quanto se antecipava inicialmente.
Os preços do aço no país estão caindo, desde o final de abril, acompanhando as quedas anteriores nos preços europeus e norte-americanos, disseram.
"Os preços do aço caíram de repente", disse um analista em Pequim. "Há uma enorme incerteza agora sobre para onde o mercado irá. As ações podem sentir agora."
No segmento de alumínio, um representante do setor afirmou que cerca de 15 usinas menores fecharam este ano e tem havido menos investimentos em nova capacidade de produção. Um pesquisador do governo chinês estimou que mais de 80 por cento das fabricantes de alumínio operaram com prejuízo no primeiro trimestre.
Entretanto, apesar dos esforços de Pequim para conter os setores, a produção bruta de aço nos primeiros quatro meses de 2005 subiu quase 25 por cento em relação ao ano anterior, para 105,94 milhões de toneladas. A produção de alumínio subiu 16,4 por cento, para 2,3 milhões de toneladas.