Otimismo dos brasileiros à parte, mais a queda dos juros (até o início dessa semana atacada pelo mercado e rentistas) e mais a inflação, a questão básica é que a desaceleração da nossa economia é uma realidade e a recessão na Europa e o baixo crescimento nos Estados Unidos também.
Se a realidade que temos é a recessão e o baixo crescimento nos nossos grandes parceiros comerciais, em que pese o otimismo dos nossos patrícios (leiam Otimismo cresce, apesar das medidas de contenção da economia), não há como, nem haveria porque o o Brasil manter juros altos.
Eles pressionam os gastos públicos e valorizam ainda mais o real, transformando a ameaça à nossa indústria e o déficit nas contas externas em problema real a curto prazo. Não adianta o mercado e rentistas aliviarem um pouco a pressão direta contra a decisão do Banco Central (BC) de reduzir os juros em 0,5%, e virem com os ataques agora por outro flanco - o do aumento da inflação que passaram a explorar mais acentuadamente desde o início dessa semana.
Não podíamos dar tiro no pé como da a Europa
A inflação acumulada nos últimos 12 meses chega a 7,23% e é a maior no país desde junho de 2005 (dobrou de junho para julho deste ano). Em agosto ela atingiu 0,37% por conta de nova alta dos alimentos. Por isso alguns analistas apressam-se em estimar que o IPCA vai superar o teto de 6,5% (meta mais 2 pontos percentuais da banda) em dezembro. Ainda bem que a maioria, menos catastrofista, ainda acredita em uma taxa um pouco inferior a isso.
Como se vê, não havia outra saída para defender a economia nacional e nossa indústria e contas externas a não ser a redução dos juros promovida pelo BC. Ele fez muito bem. Fora o fato que tudo indicava que a desaceleração seria muito maior do que a estimada pelas projeções de nossos sabichões de plantão.
Aí teríamos tudo o que não é desejável - uma queda da arrecadação e do consumo, reduzindo ainda mais o crescimento e comprometendo as contas públicas, primeiro sinal de um aumento do risco - e consequentemente dos juros. Em outras palavras, um tiro no pé, como deu a Europa.
Queda dos juros: não havia outra saída
Quinta, 08 de Setembro de 2011 às 09:37, por: CdB