Rio de Janeiro, 10 de Abril de 2026

Quebra-quebra no Congresso é condenável, mas deve servir de alerta

As cenas de vandalismo ocorridas nesta terça-feira no Congresso são injustificáveis e prejudicam a luta pela reforma agrária dos militantes do MLST. Mas não deixam de ser uma advertência a um governo que não cumpriu suas promessas. (Leia mais)

Quarta, 07 de Junho de 2006 às 12:03, por: CdB

Tiro no pé

Os manifestantes que participaram do quebra-quebra ontem no Congresso são gente humilde que luta pela reforma agrária. Merecem o respeito dos que querem mudanças sociais no país. Dito isso, é preciso não incorrer em paternalismo. O vandalismo (objetivamente foi isso o que ocorreu) que praticaram prejudica a luta pela reforma agrária. As conseqüências respingam nos movimentos sociais como um todo (inclsuive no MST, que nada teve a ver com o acontecido) e na esquerda.
A solidariedade com os que lutam por uma causa justa não deve fazer com que se fechem os olhos diante de iniciativas incorretas que significam verdadeiros tiros no pé.

 

Políticos em baixa

É inegável que a desmoralização da política, dos políticos e do Congresso, com seus repetidos casos de corrupção, a maior parte impune, criou um quadro de descrença nas instituições que é um caldo de cultura para o que aconteceu. Como dizer a um trabalhador rural, há anos esperando debaixo de uma barraca de plástico na beira de estrada que as promessas sejam cumpridas, que os políticos, o governo e o Congresso devem ser respeitados? É bom que o Congresso pense nisso também, e não fique só na (justa) recriminação do quebra-quebra.

 

Promessas não cumpridas

Da mesma forma, o governo deve também pôr a mão na consciência. Como explicar a quem votou em Lula esperando as mudanças prometidas (como certamente ocorreu com quase a totalidade dos sem-terra envolvidos nos incidentes de ontem), que seu governo tenha uma média ainda menor de assentamentos na reforma agrária que os governos FHC? É difícil convencê-los de que é justa a prioridade do governo Lula: garantir, em primeiro lugar, os lucros do capital financeiro e, para isso, conseguir superávits primários recordes, que drenam recursos das áreas sociais.

 

Confusão previsível

Conheço Bruno Maranhão, o principa

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