Os álibis apresentados pelos 11 PMs suspeitos de participar da chacina na Baixada Fluminense foram derrubados com a quebra de sigilo telefônico dos aparelhos usados pelos policiais. O cruzamento das ligações revela que, na hora da matança, os policiais não estavam nos locais indicados por eles em depoimento e que integrantes do grupo se falaram várias vezes antes e depois da chacina até serem presos.
A Polícia Federal não deu detalhes sobre o que foi descoberto sob alegação de que o inquérito está em segredo de Justiça. Um dos presos, o soldado Júlio César do Amaral havia dito que estava em Itaguaí (a 73 km do Rio) na hora da chacina, mas a consulta indica que ele estava em outro local, não revelado.
É a terceira vez que os álibis dos suspeitos são derrubados. A primeira foi o depoimento do comerciante Calvino Simões, que declarou que os suspeitos estiveram em seu bar até meia hora antes da matança. A segunda foi do soldado Fabiano Gonçalves Lopes, um dos acusados, que confirmou ter ido ao bar e visto os policiais militares.
O Instituto de Criminalística Carlos Éboli confirmou, nesta terça-feira, que o exame de DNA constatou que há sangue de duas vítimas da chacina no Gol prata que teria sido usado pelo soldado Carlos Jorge Carvalho, do 20º BPM (Mesquita), um dos suspeitos do crime. As vítimas em questão são: Francisco José Silva Neto, de 34 anos, e Marco Aurélio Alves, de 37, mortos num lava-jato, na Rua Carlos Sampaio, em Queimados.
O material, recolhido do carpete do carro, foi confrontado com as amostras de sangue de dez vítimas da matança. O resultado parcial do exame havia revelado a suspeita da existência de sangue de quatro vítimas, mas apenas dois foram confirmados
Trinta parentes de mortos em Queimados estarão, nesta terça-feira, em Brasília para apresentar reivindicações ao Ministério da Justiça e à Câmara dos Deputados.
Eles foram levados pelas ONGs SOS Queimados e Viva Rio e esperam ser recebidos pelo ministro Márcio Thomaz Bastos e pelo presidente da Câmara, Severino Cavalcanti. Ao ministério, querem pedir que a PF continue nas investigações. A Severino, pedirão que seja criado um fundo de amparo a vítimas da violência e que ele se engaje na campanha pelo desarmamento.