Em todo o mundo, 120 milhões de crianças em idade escolar - 7 a 14 anos - estão fora das salas de aula, sendo que 65 milhões delas são meninas. O principal motivo, de acordo com o oficial de Projetos da Unicef, Mário Volpi, é a falta de políticas públicas que privilegiem jovens do sexo feminino, já que as práticas de desenvolvimento têm sido marcadas pela discriminação por gênero, devido, inclusive, a questões culturais.
Os dados estão no Relatório Nacional da Situação da Infância e Adolescência, divulgado ontem em Belo Horizonte e em outras 11 capitais. O documento ainda traz índices que comprovam a desigualdade e a dificuldade de acesso a serviços de saúde e educação entre crianças pobres e ricas, negras e brancas.
No Brasil, a proporção de crianças fora das salas de aula é um pouco melhor, mas a situação também demanda incentivos, já que 5,5% das crianças não freqüentam as escolas. Desse total, 5,85% são meninos, e 5,15% meninas. Minas praticamente repete a média nacional - 4,42% das meninas estão fora dos bancos escolares, enquanto 3,89% dos garotos não estudam. A sugestão da Unicef é que haja um investimento nas meninas.
Segundo ressalta Mário Volpi, a educação delas está ligada a outros aspectos do desenvolvimento humano, como econômico (maior renda); educação para a próxima geração; efeito multiplicador, isto é, a informação extrapola o ensino e faz com que meninas se protejam mais contra doenças sexualmente transmissíveis e tornem-se menos vulneráveis à violência; famílias mais saudáveis e redução da mortalidade materna.
Um dado curioso observado pelo oficial de Projetos é que em Minas Gerais, como na média brasileira, a menina apresenta melhor performance educacional do que os garotos, pois consegue permanecer mais na escola. Volpi ressaltou que os meninos têm uma chance e meia menos de concluir o Ensino Fundamental do que as meninas, eventualmente devido ao tipo de trabalho que executam, impossibilitando que eles possam ter um tempo maior para os livros.
Ele cita fábricas e carvoarias como exemplos destas distorções. Já as meninas, observa ele, costumam trabalhar como domésticas ou babás, em casas de família, o que permite fixar um tempo maior para os estudos.
A estrutura familiar e a baixa escolaridade da mãe incidem sobre a reduzida escolaridade dos filhos. Em Minas, o relatório verificou que filhos de mães com baixa escolaridade têm 12 vezes mais possibilidade de não freqüentar escola do que aqueles cujas mães completaram os estudos. Também no Estado, uma criança pobre de 7 a 14 anos tem dez vezes mais possibilidade de não ser alfabetizada em relação à rica.
Mário Volpi explica que o Brasil precisa investir em políticas públicas que considerem as diferenças entre as regiões.
- A população branca, rica, moradora da zona urbana, com alta escolaridade e do sexo masculino continua tendo mais vantagem, e sendo privilegiada nos programas sóciopolíticos - disse.
Ele aponta a importância de se investir na igualdade de oportunidades tanto para homem como para mulheres.
No Brasil, dos 21 milhões de jovens - 12 a 17 anos -, oito milhões têm baixas renda e escolaridade, além de viver em famílias com um ganho inferior à metade do salário-mínimo. Os meninos têm uma defasagem escolar de cinco anos, e as meninas, de três. Mesmo assim, isso não reflete em uma colocação melhor no mercado de trabalho para elas.
Um exemplo prático é o de Geralda Avelino Figueiredo, 35 anos, seis filhos - a mais velha com 15 anos -, que mora em Vespasiano, na Grande BH, e diariamente tenta ganhar a vida vendendo balas nos sinais de trânsito.
- Fiz só até a 6ª série (faltaram dois anos para completar o Ensino Fundamental). Na época tinha 13 anos, mas precisei trabalhar - conta Geralda.
Apesar de alfabetizada, ela só conseguiu emprego em casa de família, 'e agora vendendo bala', o que lhe garante um salário-mínimo p
Quase 5% das crianças mineiras estão fora das escolas
Sexta, 12 de Dezembro de 2003 às 00:13, por: CdB