O administrador da Organização das Nações Unidas para Kosovo, Harri Holkeri, renunciou nesta terça-feira devido a problemas de saúde, menos de um ano após ter assumido o cargo. Holkeri era o quarto administrador de Kosovo em cinco anos e, como seus antecessores, não conseguiu acabar com as tensões étnicas na região.
A renúncia dele acontece depois de o ex-premier da Finlândia ter sido criticado dentro e fora da Província por não ter conseguido evitar os confrontos entre os sérvios e os albaneses em março. Naqueles choques, 19 pessoas morreram e milhares de sérvios foram obrigados a abandonar suas casas.
Em meio à pressão, Holkeri, de 67 anos, deu entrada em um hospital na França por fadiga.
"Na noite passada, telefonei para o secretário-geral (da ONU) Kofi Annan e pedi-lhe que aceitasse minha renúncia devido a meu estado de saúde," disse Holkeri, que parecia cansado.
A organização mundial não fez comentários sobre quem seria o sucessor de Holkeri, cujo mandato de um ano deveria terminar em agosto. Um diplomata da União Européia (UE) disse que o bloco discutiria internamente o nome de um sucessor e depois entraria em contato com a ONU, encarregada de fazer a nomeação oficial.
Kosovo, uma Província sérvia de 2 milhões de habitantes, é administrada pela ONU desde junho de 1999, depois de 11 semanas de bombardeios realizados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para colocar fim à campanha de repressão étnica levada a cabo na região pelos sérvios.
A Sérvia diz que a Otan e a ONU precisam se esforçar mais para garantir a segurança dos 100 mil sérvios da Província e defendia a saída de Holkeri. Quando questionado sobre quem seria seu sucessor, o ex-premiê respondeu: "Não poderia responder essa pergunta. Há muito trabalho a ser feito. Alguém precisa ser o bode expiatório."