Rio de Janeiro, 31 de Outubro de 2026

Quartiero deixa PF e promete continuar resistência em Roraima

O prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero, saiu por volta das 23h de quarta-feira da Superintendência da PF em Brasília, onde estava preso desde o dia 6. Ele negou que escondia explosivos na Fazenda Depósito, de sua propriedade, e prometeu continuar com a resistência à retirada dos produtores de arroz da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no extremo norte do estado. (Leia Mais)

Quinta, 15 de Maio de 2008 às 06:36, por: CdB

O prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero, saiu por volta das 23h de quarta-feira da Superintendência da PF em Brasília, onde estava preso desde o dia 6. Ele negou que escondia explosivos na Fazenda Depósito, de sua propriedade, e prometeu continuar com a resistência à retirada dos produtores de arroz da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no extremo norte do estado.

De acordo com ele, a prisão foi injusta e teve motivação política.

– Se eu tinha bombas, não sabia –, alegou o prefeito, que aproveitou para criticar o governo federal.

– As únicas bombas que existem lá se chamam Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis], Funai [Fundação Nacional do Índio] e Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] –, provocou.

Quartiero também negou ter ordenado que seus funcionários atirassem em índios que entraram em sua fazenda no dia 5.

– Não ordenei nada. Não houve ataque nenhum, mas um conflito que infelizmente deixou feridos –, rebateu.

Segundo o prefeito, a resistência contra a retirada dos não-indígenas da Terra Indígena Raposa Serra do Sol vai continuar. Para ele, a manutenção dos produtores rurais na região é essencial para a manutenção da soberania brasileira na região.

– Não vamos entregar Roraima nem deixar que entreguem a Amazônia –, afirmou.

Por unanimidade, a 2ª Seção do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, concedeu na quarta-feira liberdade provisória a Quartiero. Os desembargadores também negaram pedido de prisão preventiva contra mais nove pessoas denunciadas pelo Ministério Público Federal. O nome dos outros acusados não foi divulgado porque o processo corria em segredo de Justiça.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Quartiero acusou o ministro da Justiça, Tarso Genro, de incitar o conflito por parte dos índios da região contra os arrozeiros e diz que a política do governo federal é entregar as terras do estado a organizações não-governamentais estrangeiras.

– O que está levando o conflito a Roraima é a presença da força federal lá, sob ordens do Tarso Genro, isso está desestabilizando a nossa região. Eles estão lá, dizem que para manter a ordem, e desde que chegaram para manter a ordem, a ordem foi para o espaço. Nós sempre propusemos a judicialização da questão, isso nós dissemos, não precisa Operação Upatakon 3 [deflagrada pela Polícia Federal para retirar os não-índios de Raposa Serra do Sol]. Queremos a judicialização, vamos aguardar a decisão do Supremo Tribunal Federal e nós, como escravos da lei que somos, iremos obedecer, seja qual for. Isso nós colocamos em ata, junto com o governador, com o presidente do Tribunal de Justiça de Roraima e com as autoridades do estado. Em contrapartida, o ministro da Justiça manda um exército invasor de 500 homens, um custo extraordinário para a Nação brasileira, para ir lá humilhar, intimidar e tentar tirar os agricultores na ponta do fuzil. Quem está fazendo terrorismo é o ministro da Justiça. Hoje, em Roraima, há um terrorismo de Estado, que usa as instituições federais para implantar um clima de insegurança, de perseguição e intimidação da nossa população. E isso não vai dar certo, porque a nossa população pode ser pobre, pode ser pequena, mas é briosa e tem sentimento, tem patriotismo e vai reagir sim –, disse.

Um adia após a prisão de Quartiero, o ministro Tarso Genro afirmou que a ação da Polícia Federal  anulou o principal foco de tensão na região e proporcionou uma "distensão" do conflito .

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