Rio de Janeiro, 06 de Outubro de 2026

Quanta Ladeira leva 40 mil foliões ao centro de Recife

Segunda, 23 de Fevereiro de 2009 às 10:19, por: CdB

Um dos mais irreverentes blocos da capital pernambucana, o Quanta Ladeira reuniu cerca de 40 mil pessoas na região central da cidade na noite de domingo com músicas tradicionais e novas sátiras – os temas vão da crise econômica à sapatada no ex-presidente dos Estados Unidos George Bush e à expectativa em torno de Barack Obama.

Também não escapam das críticas a visita da cantora Carla Bruni (mulher do presidente da França) ao Brasil, a dependência química do ator Fábio Assunção e da cantora Amy Winehouse e a cirurgia plástica da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Ao ritmo da música La Belle de Jour, de Alceu Valença, o bloco também satirizou um dos projetos do arquiteto Oscar Niemeyer: “O Parque da Dona Lindu é feio de cima, de costa e de frente. (...) A dona Lindu. Oscar Niemeyer, arquiteto idoso, fez um projeto feioso.”  Projetado por Niemeyer, o parque que tem o nome da mãe do presidente Lula, terá 27 mil metros quadrados de área construída, com quadra esportiva, ciclovia, pista para caminhada e corrida e um teatro coberto, com 500 lugares.

O Quanta Ladeira foi fundado em 1994 por músicos de Pernambuco, entre eles Lenine e Zé da Flauta. Um dos integrantes do grupo, o compositor Lula Queiroga, diz que o bloco está testando seus limites.

– É engraçado que o que há de novidade no Quanta são músicas antológicas, frevos, que reciclamos para nossa 'fuleiragem', para nossa brincadeira sadia. Tinha gente a mais de meio quilômetro – comemora Queiroga.

– É uma espécie de banda de rock cantando sério coisas completamente absurdas. Pegando música dos outros e transformando. Muita gente diz que, quando ouve essas músicas já consagradas pelo cancioneiro popular, não consegue esquecer a letra do Quanta. São os cânticos quânticos – brinca o compositor.

O bloco também costuma receber críticas de organizações de mulheres, feministas e grupos de combate à dependência química por causa das piadas machistas e das letras sobre o consumo de drogas. Para Queiroga, esse é um dos motivos para o Quanta Ladeira ser limitado ao carnaval.

Tags:
Edições digital e impressa