Por Maria Lúcia Dahl - Meu ex-marido, pai da minha filha, foi preso nos anos 70, como líder estudantil, e o Marcello Alencar, seu maravilhoso advogado, conseguiu que ele fosse solto e fugisse imediatamente, o que foi feito no ato, indo primeiro pra São Paulo e depois Paris.
Colunisa quando Jack Nicholson esteve incógnito no Rio de Janeiro
Meu ex-marido, pai da minha filha, foi preso nos anos 70, como líder estudantil, e o Marcello Alencar, seu maravilhoso advogado, conseguiu que ele fosse solto e fugisse imediatamente, o que foi feito no ato, indo primeiro pra São Paulo e depois Paris.
É claro que sobrou pra mim, ainda por cima, grávida, mas graças a Deus, Já tinha meu passaporte verdadeiro, andava com ele na bolsa, e depois de presa um dia, num quarto do Dops, pra falar do Marcos, consegui fugir no meu próprio carro, depois de dar uma carona pra um delegado que me pediu pra espera-lo só um minuto na porta de uma oficina, onde pegaria o seu .
Então, quando ele entrou na oficina, dei uma ré no meu fusca, e à mil por hora, fui pro aeroporto,achando que ia morrer do coração. Não sei explicar como as coisas deram certo e embarquei pra Paris onde ficamos 5 anos no exílio, eu e Marcos,já com nosso bebê, entre Paris e Roma, sem poder voltar.
Que maravilha se tornou a década de setenta onde conheci Caetano, Gil, Jorge Mautner, Bivar e milhares de hippies maravilhosos que revolucionaram o mundo como a música, os costumes, a maneira de agir, enquanto aqui se torturava as pessoas até a morte por não obedecerem o regime imposto pela lei.
Foi nessa época que aluguei a minha casa pra um amigo, Rodrigo Argôlo e pro Lennie Dale, que, amigos do Jack Nicholson, receberam um dia um telefonema dele, dizendo que gostaria de conhecer o Rio, mas que não queria ficar em hotel para não ser reconhecido. Imediatamente Rodrigo respondeu: “fica aqui em casa.” Explicou que era uma casa de vila, em Botafogo, e que ninguém, no mundo, poderia pensar que ele estivesse aqui. Imediatamente Jack aceitou o convite e chegou dias depois, na moita, numa vila cheia de árvores de todos os jeitos e cores , silencio e discrição de pessoas que passavam sem olhar umas para as outras.
Jack amou o silencio e também as festas incríveis que Rodrigo dava, só de pessoas super engraçadas e discretas que contavam milhares de histórias loucas passadas no Rio,
Outro dia chamei um táxi e o motorista perguntou se aquela era a casa do Rodrigo. Contei toda a história do aluguel e ele disse que trazia muita gente pra cá, desde aquele tempo, contou as pessoas que frequentavam a minha casa e quando perguntou onde eu ia e eu respondi: vou à casa do Ricardo Petraglia, ele perguntou: “Dick Petra?” Já fumamos muitos baseados aqui.!”
Maria Lúcia Dahl, atriz, escritora e roteirista. Participou de mais de 50 filmes entre os quais – Macunaima, Menino de Engenho, Gente Fina é outra Coisa – 29 peças teatrais destacando-se- Se Correr o Bicho pega se ficar o bicho come – Trair e coçar é só começar- O Avarento. Na televisão trabalhou na Rede Globo em cerca de 29 novelas entre as quais – Dancing Days – Anos Dourados – Gabriela e recentemente em – Aquele Beijo. Como cronista escreveu durante 26 anos no Jornal do Brasil e algum tempo no Estado de São Paulo. Escreveu 5 livros sendo 2 de crônicas – O Quebra Cabeça e a Bailarina Agradece-, um romance, Alem da arrebentação, a biografia de Antonio Bivar e a sua autobiografia,- Quem não ouve o seu papai um dia balança e cai. Como redatora escreveu para o Chico Anisio Show.Como roteirista fez recentemente o filme – Vendo ou Alugo – vencedor de mais de 20 premios em festivais no Brasil.Direto da Redação,editado pelo jornalistaRui Martins
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.