Chegamos ao 15º dia de manifestações de protesto no Egito, pró-derrubada do general-ditadorHosni Mubarak e eu realmente não entendo: o Brasil não quer intervir na crise egípcia. Seria uma “interferência indevida” definiu o nosso chanceler, Antônio Patriota.
Não dá para entender. Ninguém cobra do Brasil ingerência nos assuntos internos do Egito, ou qualquer afronta à sua soberania, mas gestões como as desenvolvidas por várias outras nações do mundo, mobilizado e preocupado com o decalabro a que a situação chegou naquele país.
Cobra-se gestões como as já desenvolvidas pelo Brasil na América do Sul, em situações de perigo para a população e as instituições, estágio a que chegou a crise no Egito. Nosso país sempre procurou mediar e buscar saídas para crises entre, e dos nossos vizinhos.
Não apoiamos nada, nem somos contra nada?
No caso de Mubarak e seu regime ditatorial não vamos fazer nada? Não podemos, ou não devemos, dizem. Não devemos por quê? Pelas nossas relações com os países árabes, pelo príncipio de não intervenção nos assuntos internos de outros governos e povos? Pelo príncipio da autodeterminação e soberania dos povos?
Não podemos “exacerbar tensões” na região mais do que estão exacerbadas, dizem as nossas autoridades diplomáticas. Mas qual é a nossa posição em relação a grave crise-político institucional egípcia? Nenhuma?
Apoiamos a manutenção do governo Mubarak, sua proposta de convocar eleições só para setembro e de se manter no poder? Ou apoiamos a oposição que o quer fora já e eleições limpas e democráticas? Ou não apoiamos nada, nem somos contra nada e nos mantemos neutros e distantes?
De qualquer forma o PT e cada um de nós podemos ter posições e nos manifestar. Ainda bem. Por falar nisso qual é a posição do PT? Para não dizer que não falei de flores, abaixo a nota oficial do Itamaraty sobre a crise no Egito. Vejam o que diz (?):
"Situação no Egito
O Governo brasileiro deplora os confrontos violentos associados aos últimos desdobramentos da crise no Egito, em particular os atos de hostilidade à imprensa reportados ontem e hoje.
O Governo brasileiro protesta contra a detenção dos jornalistas brasileiros Corban Costa, da Rádio Nacional, e Gilvan Rocha, da TV Brasil, e manifesta a expectativa de que as autoridades egípcias tomem medidas para garantir as liberdades civis e a integridade física da população e dos estrangeiros presentes no país.
Ao reafirmar a solidariedade e amizade do Brasil ao povo egípcio, o Governo brasileiro espera que este momento de instabilidade seja superado com a maior rapidez possível em um contexto de aprimoramento institucional e democrático do Egito.
A Embaixada do Brasil no Cairo continuará prestando assistência a turistas e residentes brasileiros que se encontram no país."