O quadro clínico do premiê israelense, Ariel Sharon, era grave no final da noite desta quinta-feira, mas a situação estava estabilizada, depois do derrame que provavelmente deixará um enorme vazio na política de Israel e no processo de paz do Oriente Médio. Os cirurgiões do hospital Hadassah, em Jerusalém, disseram que conseguiram conter a hemorragia cerebral do líder de 77 anos numa operação que durou sete horas.
O diretor do hospital, Shlomo Mor-Yosef, afirmou que Sharon seria mantido em "sedação profunda", ou coma induzido, e num respirador por ao menos 48 horas, para controlar a pressão intracraniana. Mor-Yosef não deu esclarecimentos sobre as possíveis lesões cerebrais decorrentes do derrame. Mas afirmou que o premiê dificilmente voltará ao trabalho.
- Devo apontar que, em relação ao futuro, sob as circunstâncias atuais isso não será possível. O cérebro dele está funcionando, mas este tratamento (sedação profunda) vai durar algo entre 48 e 72 horas e então tentaremos acordar gradualmente o primeiro-ministro - disse.
A emissora de TV Channel One disse que os médicos tentarão tirá-lo do coma induzido no domingo. A hemorragia cerebral que derrubou Sharon na quarta-feira o pegou bem no meio de uma revolução política. Ele acabara de fundar um novo partido, tentando se afastar da ala direitista de seu antigo partido, o Likud, e lutava pela reeleição no pleito de março, para tentar acabar com o conflito com os palestinos.
O líder palestino, Yasser Arafat, morreu vítima de um derrame, após uma doença misteriosa, em novembro de 2004. A campanha de Sharon indicava que ele cederia imediatamente terras ocupadas da Cisjordânia para os palestinos, mas mantendo a posse dos principais blocos de assentamentos. Especialistas médicos afirmam que é pouco provável que o premiê consiga se recuperar sem graves sequelas.
- As chances de que ele volte a suas funções normais depois de um incidente como esse não são boas - disse Ziv Rosenbaum, neurocirugião do hospital Beilinson, perto de Tel Aviv, a uma emissora de TV.
O ex-general Sharon nunca indicou um sucessor. Seu vice, Ehud Olmert, foi nomeado primeiro-ministro interino. Para analistas políticos, as eleições de março, que Sharon provavelmente venceria à frente do novo partido de centro, o Kadima, serão uma corrida aberta se ele morrer ou ficar incapacitado.