Rio de Janeiro, 30 de Março de 2026

Quadrilha comprou prédio por R$ 1,2 milhões para assalto

A Polícia Federal iniciou neste sábado a escavação de um buracovertical para analisar a profundidade do túnel cavado pela quadrilha presa nesta sexta-feira se preparando para assaltar dois bancos em Porto Alegre. Os 26 presos são apontados como autores do maior roubo dahistória do país, no Banco Central, em Fortaleza, no ano passado. Segundo a polícia, o túnel alcançaria 85 metros de comprimento, estaria pronto em duas semanas. (Leia Mais)

Sábado, 02 de Setembro de 2006 às 17:39, por: CdB

A Polícia Federal iniciou neste sábado a escavação de um buracovertical para analisar a profundidade do túnel cavado pela quadrilha presa nesta sexta-feira se preparando para assaltar dois bancos em Porto Alegre. Os 26 presos são apontados como autores do maior roubo dahistória do país, no Banco Central, em Fortaleza, no ano passado.

A polícia ainda hoje está atrás do dinheiro e dos mentores intelectuais da ação, que seriam líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Outras 13 pessoas também foram presas: sete em São Paulo, quatro em Maceió, uma na Paraíba e uma no Piauí. Em agosto de 2005, o bando roubou R$ 164 milhões. Pouco maisde R$ 6 milhões foram encontrados em quatro veículos e uma carreta do empresário José Charles Machado de Moraes, preso juntamente com os donos da revendedora Brilhe Car, Dermival Fernandes e José Elizomarte Fernandes Vieira.

Os assaltantes alugaram uma casa em frente ao Banco Central três meses antes do assalto, e montaram uma empresa de fachada de paisagismo. De um dos quartos, cavaram um túnel que os levou ao caixa-forte. Eles pretendiam agora assaltar dois bancos em Porto Alegre exatamente da mesma maneira. Desta vez, compraram um prédio por R$ 1,2 milhão de frente para o banco Banrisul.

Segundo a polícia, o túnel alcançaria 85 metros de comprimento, estaria pronto em duas semanas e chegaria também a uma agênciada Caixa Econômica Federal, onde fariam o segundo roubo.Os 26 homens foram presos em flagrante quando cavavam oburaco e levados para o presídio de segurança máxima de Charqueada, cidade a 60 quilômetros da capital.

A polícia divulgou lista com o nome dos bandidos. Todos já foram interrogados, mas negaram fazer parte do PCC. "Ninguém confirma, nem o Marcola", diz o delegado regional de Combate ao Crime Organizado no Rio Grandedo Sul, Ildo Gasparetto, se referindo ao atual líder da facção, Marcos Camacho. Apesar de negarem a ligação com o crime organizado, ao prestar depoimento "deram indícios dos mentores intelectuais da ação", conta Gasparetto.

As investigações foram iniciadas há seis meses. Os 26 ladrões "são profissionais e quase todos têm antecedentes criminais", contou ocoordenador de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Getúlio Bezerra. As investigações do roubo passado já haviam levado aos nomes dos envolvidos e, assim, a polícia passou a vigiar os passos da quadrilha.

- Tínhamos um certo controle sobre eles, mas estávamos esperando o momento em que começariam a gastar o dinheiro. Eles se movimentaram e, inclusive, estavam atuando criminosamente, o que facilitou muito nosso trabalho.

Concluída a etapa de prisões e investigações, a polícia trabalha agora para reunir provas e encontrar o dinheiro roubado em Fortaleza. A Justiça expediu 86 mandados de busca e apreensão em sítios, casas e escritórios. Mais de 17 bens, entre carros e imóveis que pertenciam aos criminosos, já foram apreendidos. A polícia acredita que tenham sido comprados com dinheiro dos roubos.

Além de medir a profundidade do túnel a PF quer fazer um levantamento do trabalho dos ladrões. Toda a perícia tem que ser concluída em15 dias, prazo dado pela Justiça. Um segundo braço da investigação, coordenado por Brasília, investiga a ação dos outros integrantes da quadrilha, no restantedo país.

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