A Coréia do Norte afirmou, nesta quinta-feira, que o lançamento de seus sete mísseis na quarta-feira foi um sucesso, adiantou que fará outros testes similares e ameaçou empregar "medidas contundentes" contra aqueles que pretendam pressionar o regime comunista.
A cúpula norte-coreana rompeu seu silêncio e rebateu as críticas da comunidade internacional com ameaças de empregar a força e a promessa de novos lançamentos.
Em comunicado do Ministério de Assuntos Exteriores, o Governo norte-coreano reconheceu pela primeira vez o lançamento dos mísseis e explicou que tais testes fazem parte das manobras "rotineiras" do país destinadas a aumentar seu poderio militar, segundo a Agência Central de Notícias da Coréia do Norte (KCNA, na sigla em inglês).
O porta-voz norte-coreano assegurou que "o comando militar realizará, no futuro, exercícios de lançamento como parte do reforço do poder dissuasório" do país.
As forças armadas norte-coreanas dispararam, na quarta-feira, sete mísseis - um deles intercontinental e o resto de curto e médio alcance - que caíram no mar do Japão, entre a península da Coréia, a Rússia e o Japão.
A ação foi condenada internacionalmente, pois representa uma violação da suspensão deste tipo de teste assinada pela Coréia do Norte em 1999. O Governo de Pyongyang foi muito claro a respeito da suspensão dos testes.
- O exercício, pela República Democrática Popular da Coréia, de seu legítimo direito como Estado soberano não está sujeito a nenhuma lei internacional, bilateral ou acordos multilaterais - afirmou o porta-voz norte-coreano.
Segundo ele, o acordo de 1999 teve validade enquanto "o diálogo entre os Estados Unidos e a Coréia do Norte esteve aberto".
- A Administração (do presidente dos Estados Unidos, George W.) Bush desmantelou todos os acordos anteriores do Governo e afundou o diálogo bilateral - ressaltou.
O lançamento de mísseis por Pyongyang levou à convocação de uma reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança da ONU, realizada na quarta-feira. A iniciativa partiu de Tóquio, com o apoio de Washington. O objetivo era estudar a eventual imposição de sanções contra o regime norte-coreano.
A Coréia do Norte já advertiu em outras ocasiões que a aplicação de sanções pelo Conselho de Segurança da ONU equivaleria a uma declaração de guerra.
Hoje, o porta-voz de Pyongyang usou novamente um tom agressivo e advertiu que a Coréia do Norte "não descarta adotar outros tipos de ações mais contundentes caso receba maiores pressões (em referência às sanções) pela realização de tais manobras".
O embaixador russo em Tóquio, Alexander Losyukov, preveniu sobre a possibilidade de punir Pyongyang. Caso sejam aplicadas sanções à Coréia do Norte, "será impossível fazer com que Pyongyang volte às conversas multilaterais" sobre seu programa de armas nucleares, afirmou o diplomata.
As negociações, das quais participam as duas Coréias, China, Rússia, Japão e Estados Unidos, estão estagnadas desde novembro devido ao boicote do regime norte-coreano.
A imposição de sanções à Coréia do Norte é um dos objetivos do projeto de resolução apresentado na quarta-feira ao Conselho de Segurança das Nações Unidas pelo Japão com o apoio dos EUA.
A minuta de resolução condena o lançamento dos mísseis e exige que a Coréia do Norte interrompa imediatamente o desenvolvimento, o teste, o envio e a proliferação de projéteis balísticos. O documento reafirma também seu compromisso com a suspensão de 1999, que proíbe o lançamento de mísseis de longo alcance.
Entre os mísseis lançados havia um intercontinental Taepodong-2, a principal arma do arsenal balístico norte-coreano.
O foguete, de combustível líquido e com elementos do SS-4 soviético, tem um raio de ação de entre 3.500 e 6.700 quilômetros, segundo alguns analistas, embora outros o elevem para 9 mil ou até 12 mil km, o que o torna capaz de