A Coréia do Norte lançou, nesta quarta-feira, sete mísseis, um deles intercontinental, iniciando uma escalada de tensão no Leste da Ásia que leva as negociações sobre o programa nuclear de Pyongyang a um beco sem saída.
Seis mísseis foram disparados durante a madrugada, o que colocou todos os governos e comandantes militares da região em alerta, sobretudo diante da informação de que entre os projéteis havia um Taepodong-2.
O míssil de longo alcance é o pesadelo do Pentágono, pois, segundo os especialistas, tem um raio de ação suficiente para atravessar o Oceano Pacífico e cair em qualquer ponto da costa oeste dos Estados Unidos.
Fontes militares americanas e japonesas se apressaram em anunciar o fracasso do teste 40 segundos após o lançamento, mas a Coréia do Norte já havia conseguido chamar a atenção, principal objetivo das provas militares.
Os outros projéteis eram mísseis Scud e Rodong, baseados na mesma tecnologia. Os primeiros são de origem soviética e têm um alcance menor, enquanto os Rodong possuem um raio de alcance de 1.300 quilômetros e podem atingir as principais cidades japonesas.
A Coréia do Norte escolheu uma data que não poderia ser mais significativa para o teste dos mísseis, pois, na hora do lançamento, ainda era 4 de julho nos EUA, data da independência americana.
Enquanto a comunidade internacional reagia aos testes entre condenações e ofensivas diplomáticas à espera de um comunicado de Pyongyang, o regime norte-coreano decidiu lançar o sétimo míssil, lembrando ao mundo que seu desafio não terminou.
Diante dos testes militares, os Estados Unidos e o Japão tomaram a iniciativa de convocar uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para analisar a crise e estudar a possibilidade de impor sanções econômicas à Coréia do Norte.
A Casa Branca foi contundente em sua resposta à Pyongyang e seu porta-voz, Tony Snow, afirmou que o Governo de George W. Bush "tomará todas as medidas necessárias" para proteger os EUA e seus aliados deste tipo de ameaças.
O embaixador americano em Tóquio, Thomas Schieffer, pediu unidade à comunidade internacional para enfrentar a crise.
- Os Estados Unidos pedem a seus aliados que falem com uma só voz - ressaltou Schieffer a coordenação com o Japão, com quem manteve contatos "minuto a minuto".
Ao tomar conhecimento dos lançamentos, o Governo japonês reuniu seu Conselho de Segurança Nacional e criou um Gabinete de crise.
- A Coréia do Norte não obtém nenhuma vantagem, nenhum lucro com estas ações - disse o primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, após a confirmação do lançamento do sétimo míssil.
Enquanto espera as medidas do Conselho de Segurança da ONU, o Japão impôs suas próprias sanções à Coréia do Norte, e entre elas proibiu a entrada de funcionários e tripulações de navios e aviões norte-coreanos em seu território.
A restrição incluiu também a proibição da barca Mangyongbong-92, o único meio marítimo para o transporte de passageiros entre o Japão e a Coréia do Norte. A barca não será aceita em portos japoneses nos próximos seis meses.
Na Coréia do Sul, o nervosismo se torna maior, pois o Governo do presidente Roh Moo-hyun foi muito criticado pelos EUA e pelo Japão por sua política de tolerância com Pyongyang.
No entanto, Seul pôs fim a sua postura de distensão, colocou seu Exército em alerta máximo e condenou a decisão da Coréia do Norte.
- O lançamento destes mísseis piorará as relações entre as Coréias e contribuirá para o isolamento internacional da Coréia do Norte - advertiu a mensagem oficial lida por Suh Choo-suk, secretário presidencial de Segurança e Política Externa.
- A Coréia do Norte deve acabar com tais atos de provocação, retornar imediatamente às conversas multilaterais (sobre seu programa de armas atômicas) e se unir aos esforços internacionais sobre não-proliferação nuclear - disse Suh.
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