O presidente da Rússia, Vladimir Putin, tomou posse novamente nesta sexta-feira, dando início oficial a seu segundo mandato de quatro anos, que será dominado pelo desafio de modernizar o país.
Putin, genuinamente popular pela estabilidade que implantou, conquistou a reeleição com folga em março. A nova posse ocorreu durante uma cerimônia cheia de pompa czarista nos salões dourados do Kremlin.
Cerca de 1.700 convidados da elite russa viram Putin, de 51 anos, fazer o juramento da posse no luxuoso salão Andreyevsky. Ele prometeu defender os direitos humanos, a Constituição e a independência russa, além de "servir fielmente às pessoas".
"O principal objetivo dos próximos quatro anos é transformar o potencial que conquistamos em nova energia para o desenvolvimento e alcançar uma nova qualidade de vida para nossos cidadãos", afirmou Putin.
Mas a apatia generalizada em relação à eleição presidencial, vista como um passeio de Putin, fez com que os russos prestassem pouca atenção à cerimônia.
Putin enfrenta pouca resistência no Parlamento e no gabinete, e o evento enfatizou o espetáculo em lugar da política, logo depois da adesão de ex-aliados do tempo soviético à União Européia. Pela Constituição, este é o último mandato de Putin.
O presidente conseguiu admiradores por causa da estabilidade que impôs, depois de uma década do governo de Boris Yeltsin, em que houve uma rebelião armada no Parlamento e um colapso econômico.
Mas dezenas de milhões de pessoas continuam na pobreza, e analistas dizem que a popularidade de Putin pode diminuir, especialmente se a cotação do petróleo cair, arrastando consigo as exportações.
Liberais elogiam seu compromisso com as reformas, mas contestam o que dizem ser um estilo autoritário, com restrições à imprensa e sem uma solução para a violência separatista na Chechênia.
Investidores russos e ocidentais estarão atentos para a resolução do caso judicial contra o magnata petroleiro Mikhail Khodorkovsky, o homem mais rico da Rússia, que será julgado por fraude e evasão fiscal.
Putin vai querer provar que pode cumprir as mudanças exigidas por instituições como a Organização Mundial do Comércio, como desmantelar monopólios e reformar os preços no setor elétrico.
Uma decisão importante, a ser tomada dentro de duas semanas, será ratificar ou não o Protocolo de Kyoto sobre o aquecimento global, que não entrará em vigor sem a Rússia. O apoio colocaria a Rússia contra os Estados Unidos, país com o qual Putin estabeleceu laços fortes na luta contra o terrorismo. Mas rejeitar o tratado seria uma atitude malvista na Europa ocidental.