Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

Putin disse que forças anglo-americanas não cumpriram objetivo

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez duras acusações, neste sábado, à coalizão responsável pela nova guerra no Golfo Pérsico, alegando que as tropas lideradas pelos Estados Unidos não conseguiram cumprir o objetivo de desarmar o Iraque. (Leia Mais)

Sábado, 12 de Abril de 2003 às 14:10, por: CdB

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez duras acusações, neste sábado, à coalizão responsável pela nova guerra no Golfo Pérsico, alegando que as tropas lideradas pelos Estados Unidos não conseguiram cumprir o objetivo de desarmar o Iraque. Putin recebeu o presidente francês, Jacques Chirac, e o chefe do governo alemão, Gerhard Schroeder, para uma reunião de cúpula de dois dias em São Petersburgo, a fim de discutir o pós-guerra. "A meta da guerra - desarmar o Iraque - não foi alcançada", declarou Putin. "Não podemos nunca ter noções mistas. Ninguém, além de Saddam Hussein, gostava do regime iraquiano, mas a questão não é essa". Em sua primeira declaração oficial desde que Bagdá caiu nas mãos das tropas anglo-americanas, Putin disse que as Nações Unidas deveriam desempenhar um papel de protagonista na reconstrução do Iraque. O presidente russo também reiterou apelos para que disputas futuras sejam solucionadas por meio das leis internacionais - e não por ações militares. Chirac, que liderou a oposição européia à guerra, endossou as declarações de Putin. "A tarefa de restaurar o sistema político, econômico e social do Iraque é enorme", disse. "Apenas as Nações Unidas têm legitimidade para fazer isso". Putin sugeriu que o modelo para a reconstrução do Iraque siga a linha adotada no Afeganistão. O presidente também se disse aberto a discussões em torno de uma proposta do subsecretário de Defesa norte-americano, Paul Wolfowitz, pela qual Moscou poderia perdoar dívidas de US$ 8 bilhões do Iraque. Na quinta-feira, Wolfowitz sugeriu que, como contribuição para os esforços de reconstrução do Iraque, os governos da Rússia, França e Alemanha poderiam deixar de cobrar bilhões de dólares emprestados ao regime de Saddam Hussein. A correspondente da CNN Jill Dougherty observou, em Moscou, que Putin está procurando um "ato de equilíbrio" com os Estados Unidos. "Ele não quer tornar as relações piores do que já estão", disse a jornalista. "Ouvimos de Putin: ele disse que é bom o regime tirânico ter sido derrubado, mas que isso não pode ser um modelo para o mundo inteiro". França e Alemanha não revelaram o mesmo entusiasmo que Putin, dizendo apenas que ainda é muito cedo para discutir as dívidas do Iraque.

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