O presidente russo, Vladimir Putin, criticou novamente nesta terça-feira os países da Otan que "exibem seus músculos" nas fronteiras da Rússia, e avisou que Moscou não ficará de braços cruzados. Neste contexto, ele reafirmou sua determinação em suspender a participação da Rússia do tratado sobre as Forças Convencionais na Europa (FCE), um dos principais textos que rege a segurança no Velho Continente desde o fim da Guerra Fria, a partir do dia 12 de dezembro.
– A Rússia não pode ficar de braços cruzados enquanto outros exibem seus músculos – declarou Putin, citado pelas agências russas, durante uma reunião dos chefes das forças armadas no ministério russo da Defesa.
– Constatamos que alguns Estados e membros da Aliança Atlântica estão aumentando seus recursos militares perto de nossas fronteiras, em violação dos acordos concluídos – prosseguiu o presidente russo.
A suspensão da participação russa do tratado FCE é uma das respostas possíveis a esta situação, destacou Putin, lembrando que os parceiros da Rússia na Otan não ratificaram a versão revisada do tratado aprovada em 1999.
– Não vamos aplicar nada unilateralmente. Nossos parceiros não ratificaram o tratado, alguns sequer o assinaram – denunciou. – A Rússia pensará novamente em respeitar suas obrigtações quando eles (os parceiros) terão aderido à versão adaptada do FCE, e sobretudo quando a aplicarão – acrescentou.
O tratado FCE foi assinado em 1990 pelos países da Otan e do Pacto de Varsóvia, um ano antes da queda da União Soviética. Ele foi "adaptado" em 1999 em Istambul para integrar o desaparecimento do bloco soviético, que unia as defesas da União Soviética e dos países socialistas do leste da Europa.
Países da Otan não ratificaram esta versão revisada, devido à permanência de tropas russas em regiões separatistas pró-russas da Geórgia e da Moldávia, duas ex-repúblicas soviéticas. O dirigente também insistiu na necessidade para a Rússia de contar com forças nucleares modernas e adaptadas.
– Uma de nossas missões principais segue sendo aumentar a aptidão ao combate das forças nucleares estratégicas. Elas devem poder responder de forma adequada e imediata a qualquer agressão – afirmou.
Além da extensão da Otan em suas fronteiras, a Rússia denuncia o projeto de escudo antimísseis americano na Europa, que prevê a construção de um radar na República Tcheca e a instalação de dez interceptores de mísseis na Polônia.
Vladimir Putin lamentou que as propostas russas, sobretudo a de utilizar o radar de Gabala no Azerbaijão em vez de um radar tcheco, tenham ficado sem resposta. O chefe de estado-maior russo, o general Yuri Baluevski, garantiu que a Rússia se retirará do FCE em 12 de dezembro.
Ele também reiterou que a Rússia não tem pressa de se retirar do tratado sobre as Forças Nucleares Intermediárias (FNI).
– Não precisamos ter pressa. Antes de sair, temos que convencer todos os que fabricam esse tipo de mísseis – argumentou. Em outubro, Putin ameaçou retirar a Rússia do FNI se este tratado não tiver um caráter universal.